05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Crescimento de demanda por tecnologia climática gera oportunidades

Publicado em 15 de março, 2026

Crescimento de demanda por tecnologia climática gera oportunidades

País precisa entrar no fluxo financeiro global, diz pesquisa (Foto: Divulgação)

Temporais, enxurradas, secas extremas e longas estiagens são alguns dos efeitos da mudança do clima já sentidos em todo o mundo. No sentido oposto, a busca por soluções também impulsiona efeitos positivos, como o desenvolvimento das tecnologias climáticas.

O setor, também chamado de tecnologia verde ou ambientalmente adequada, caracteriza-se principalmente por usar inovação para acelerar respostas e ampliar formas de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, além de aumentar a resiliência da infraestrutura para que a sociedade se adapte melhor.

“São tecnologias que protegem o meio ambiente, são menos poluentes, utilizam recursos de forma sustentável, mas, principalmente, reduzem emissões e aumentam a resiliência”, explica Yago Freire, consultor de projetos do instituto de pesquisa Laclima.

Na prática, o setor reúne dois eixos econômicos que devem crescer no mundo até 2030, segundo relatórios do Fórum Econômico Global: tecnologia e economia verde.

Para o período, a demanda por soluções deve gerar oportunidades de negócios verdes de US$ 10,1 trilhões em todo o mundo. Desse total, quase metade – cerca de US$ 800 bilhões – virá na forma de economia de custos com investimentos em eficiência hídrica, energética e circularidade de matérias-primas.

Demanda

Freire explica que parte dessas oportunidades deve ser impulsionada por organismos e tratados internacionais dedicados ao enfrentamento das mudanças climáticas. Um exemplo é o Programa de Implementação de Tecnologia (TIP), uma das decisões da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro de 2025, em Belém (PA).

“Embora ainda precisemos desenvolver novas tecnologias, muitas soluções já estão disponíveis. Estamos saindo de uma fase focada em validação e desenvolvimento tecnológico para outra em que é preciso implementar e ampliar o acesso para países, cidades e estados.”

O TIP surge como ferramenta para melhorar o acesso às tecnologias climáticas em países em desenvolvimento e mais vulneráveis, fortalecendo sistemas nacionais de inovação e criando ambientes políticos e regulatórios mais estruturados. Países mais preparados para implantar e difundir essas tecnologias passam a ter maior capacidade de mobilizar recursos.

Fluxo financeiro

De acordo com a plataforma de dados Net Zero Insights, em 2024 a América Latina recebeu apenas US$ 743,3 milhões em investimentos em tecnologia climática, menos de 1% dos US$ 92 bilhões aplicados globalmente.

Mesmo fora do principal fluxo financeiro global, o Brasil mobilizou R$ 2 bilhões no mesmo ano e gerou mais de 5 mil empregos diretos e indiretos considerando as climatechs — startups que desenvolvem tecnologias climáticas escaláveis.

Na avaliação da diretora executiva do Fórum Brasileiro de Climatechs, Ana Himmelstein, o país reúne características importantes para desenvolver tecnologias climáticas tanto para o mercado interno quanto para soluções com impacto global.

“É a tempestade perfeita que reúne uma biodiversidade muito vasta, centros de pesquisa e universidades entre os melhores da América Latina e um mercado empreendedor muito maduro.”

Desafios

Por outro lado, o relatório Destravando o Potencial do Brasil para a Tecnologia Climática, produzido pelo fórum em 2025, aponta desafios que exigem articulação entre governo, setor privado e o ecossistema de climatechs.

“O que o relatório mostra é que não faltam condições, mas sim intencionalidade, coordenação e financiamento. Existe uma lacuna de investimentos, principalmente de capital privado internacional, que ainda não percebeu o tamanho da oportunidade”, afirma Himmelstein.

Segundo a gestora, o crescimento contínuo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro mostra que há investimentos internos no setor, ainda que isso nem sempre apareça de forma clara para o mercado externo.

“O PIB cresceu muito por causa do agronegócio, mas quando observamos o setor mais de perto vemos quanto se investe em tecnologia para adaptação climática, muitas vezes desenvolvida por climatechs.”

De acordo com Zé Gustavo Favaro, também dirigente do Fórum Brasileiro de Climatechs, a entidade trabalha com o Ministério de Pequenas e Médias Empresas e com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para desenvolver modelos de financiamento que aproximem investidores das soluções do setor.

O fórum também busca compreender melhor os diferentes mercados em que atuam as startups de tecnologia climática. Para isso, organizou as climatechs em oito áreas: energia e biocombustíveis, indústria, agricultura e sistemas alimentares, florestas e uso do solo, água e saneamento, gestão de resíduos, finanças climáticas e logística e mobilidade.

A partir dessa divisão, passou a monitorar os sistemas regulatórios desses mercados para acompanhar o ritmo da inovação.

“A gente vai passar por uma transformação profunda da nossa civilização. Cientistas vêm alertando para isso. Essa mudança também vai transformar comportamentos e mercados”, conclui Favaro.

Agência Brasil

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