
Ex-presidente enfrenta nova complicação clínica enquanto está internado em UTI para tratar broncopneumonia (Foto Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Desde o atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acumula um histórico médico marcado por diversas cirurgias e sucessivas internações. Ao longo dos últimos anos, o político passou por nove procedimentos cirúrgicos e enfrentou uma série de complicações de saúde relacionadas, principalmente, às consequências da facada que sofreu em setembro daquele ano.
Atualmente, Bolsonaro está internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital DF Star, em Brasília, para tratar uma broncopneumonia bacteriana bilateral. Segundo a equipe médica responsável, o quadro é considerado grave e exige monitoramento contínuo.
Grande parte das complicações enfrentadas pelo ex-presidente está associada às chamadas aderências intestinais. Esse tipo de condição pode surgir após múltiplas cirurgias abdominais, quando tecidos e órgãos passam a se unir de forma anormal, podendo provocar bloqueios no funcionamento do intestino e causar dores intensas ou obstruções.
O primeiro procedimento ocorreu no próprio dia do atentado, em 6 de setembro de 2018, quando Bolsonaro foi operado para reparar lesões no intestino delgado e no intestino grosso após ser ferido durante um ato de campanha em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Poucos dias depois, em 12 de setembro, ele passou por uma nova cirurgia em São Paulo para tratar uma obstrução intestinal.
No ano seguinte, em janeiro de 2019, os médicos realizaram a retirada da bolsa de colostomia utilizada durante o período de recuperação das primeiras cirurgias. Ainda naquele ano, Bolsonaro passou por outra intervenção para corrigir uma hérnia na região da cicatriz abdominal e também foi submetido a um procedimento para tratar cálculo renal.
Em 2020, o ex-presidente foi internado no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, onde realizou exames de imagem para avaliar a posição de uma tela cirúrgica implantada anteriormente para reforçar a parede abdominal. No mesmo ano, em setembro, passou por cirurgia no Hospital Israelita Albert Einstein para retirada de um cálculo na bexiga.
O histórico de complicações continuou em 2021, quando Bolsonaro foi internado às pressas após apresentar obstrução intestinal acompanhada de dias seguidos de soluços. Embora inicialmente houvesse a possibilidade de cirurgia, o quadro foi revertido com tratamento clínico e uso de sonda nasogástrica.
Em 2022, uma nova internação ocorreu após um episódio de obstrução intestinal relacionado à ingestão de alimento mal mastigado, reforçando a fragilidade do sistema digestivo após as cirurgias anteriores.
No ano de 2023, Bolsonaro foi submetido a três procedimentos no mesmo dia no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo: correção de hérnia de hiato, cirurgia para desvio de septo e realização de endoscopia digestiva.
Já em 2024, ele precisou ser hospitalizado para tratar um quadro de erisipela na perna esquerda, acompanhado de dores abdominais, o que exigiu observação médica para evitar evolução para infecção sistêmica.
Em 2025, o ex-presidente enfrentou uma das fases mais delicadas desde o atentado. Em abril daquele ano, passou mal durante um evento em Santa Cruz e, dois dias depois, foi submetido a uma laparotomia exploradora — cirurgia de aproximadamente 12 horas realizada para desobstrução total do intestino e reconstrução da parede abdominal.
No mesmo ano, já cumprindo prisão domiciliar após condenação relacionada aos atos de Ataques de 8 de janeiro de 2023, voltou a procurar atendimento médico por crises de soluços, pressão baixa e episódios de vômito. Também realizou cirurgias para correção de hérnia inguinal e passou por retirada de lesões de pele.
Em 2026, durante o período em que permaneceu no complexo penitenciário conhecido como “Papudinha”, Bolsonaro registrou mais de uma centena de atendimentos médicos em poucas semanas, principalmente por refluxo intenso e dores abdominais.
A situação mais recente ocorreu em 13 de março, quando o ex-presidente foi levado à UTI após diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral. O quadro representa a complicação clínica mais grave enfrentada por Bolsonaro nos últimos anos e segue sob acompanhamento médico intensivo.
Veja mais notícias em Geral