
Relatório revela que milhares de vítimas são forçadas a aplicar golpes virtuais sob violência e confinamento (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
A Organização das Nações Unidas denunciou que milhares de pessoas ao redor do mundo estão sendo coagidas a trabalhar em esquemas de fraudes digitais, vivendo sob condições degradantes e submetidas a graves violações de direitos humanos. A maior parte dessas operações está concentrada no Sudeste Asiático, mas há registros em outras regiões.
O relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos reúne centenas de depoimentos de vítimas e descreve práticas como tortura, maus-tratos, exploração sexual, abortos forçados, privação de alimentos e isolamento. Segundo o alto comissário Volker Türk, “a lista de abusos é avassaladora”.
Os testemunhos apontam que os centros de fraude funcionam em países como Camboja, Laos, Myanmar, Filipinas e Emirados Árabes Unidos, com relatos também na África e nas Américas. As vítimas são recrutadas em diversas partes do mundo, incluindo países europeus — como França, Alemanha e Reino Unido — e latino-americanos, entre eles Peru, Colômbia, Brasil e México.
Nos complexos ilegais, descritos como verdadeiras “cidades autossuficientes”, trabalhadores são forçados a aplicar golpes virtuais que vão de roubo de identidade a extorsões financeiras. Aqueles que não atingem metas impostas sofrem punições severas. Sobreviventes relataram mortes durante tentativas de fuga e castigos violentos contra quem é recapturado.
O documento também indica que nenhuma das vítimas recebeu o pagamento prometido e que, em alguns casos, redes criminosas contaram com a conivência de agentes de segurança e autoridades de fronteira, que teriam participado de abusos.
Diante das denúncias, a ONU pede operações de resgate coordenadas e seguras, além de programas de reabilitação para os sobreviventes. Türk apelou à comunidade internacional para agir contra o avanço desse tipo de exploração, que já ultrapassa o Sudeste Asiático e se expande para outras regiões. Um relatório anterior, divulgado em 2023, já estimava que centenas de milhares de pessoas haviam sido recrutadas à força para aplicar golpes online.