
Investimento integra política voltada ao fortalecimento da indústria da saúde, com foco nas principais necessidades da população (Foto: Divulgação)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve nesta segunda-feira (9), em São Paulo, no Instituto Butantan, onde anunciou um pacote de investimentos voltado à ampliação da capacidade produtiva de vacinas, soros e insumos biológicos no país. O aporte federal soma R$ 1,4 bilhão e faz parte das ações do Novo PAC Saúde.
Durante a visita, Lula assinou ordens de serviço para a construção de duas novas fábricas e a modernização de outras duas unidades do instituto. O presidente esteve acompanhado do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Segundo o governo federal, os investimentos têm como objetivo fortalecer a autonomia nacional na produção de imunizantes e soros estratégicos, reduzindo a dependência do mercado externo e ampliando a capacidade de resposta do país a emergências sanitárias. Entre as tecnologias previstas está a produção de vacinas de RNA mensageiro (RNAm), considerada uma das mais avançadas da biotecnologia atual.
No mesmo evento, o governo anunciou o início da vacinação contra a dengue em todo o país para profissionais da Atenção Primária à Saúde. A imunização será feita com vacina desenvolvida integralmente pelo Instituto Butantan e deve alcançar cerca de 1,2 milhão de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS). Apenas no estado de São Paulo, o público estimado é de mais de 216 mil profissionais.
As primeiras 650 mil doses já foram distribuídas aos estados, e novas remessas devem ser enviadas nas próximas semanas, conforme o avanço da produção.
A ampliação da vacinação para a população em geral, na faixa etária de 15 a 59 anos, está prevista para o segundo semestre deste ano, de forma escalonada. A expectativa do Ministério da Saúde é aumentar significativamente a produção a partir de uma parceria tecnológica com a China, o que pode multiplicar a capacidade atual em até 30 vezes.
Com a expansão da infraestrutura, o Brasil passará a produzir o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) de vacinas estratégicas, como a DTPa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, e a vacina contra o HPV. A unidade dedicada à DTPa receberá investimento superior a R$ 550 milhões e terá capacidade de fabricar até 6 milhões de doses por ano.
Já a fábrica de vacina contra o HPV contará com aporte de aproximadamente R$ 496 milhões, com estimativa de produção anual de 20 milhões de doses, ampliando a oferta nacional e garantindo abastecimento contínuo ao SUS.
Outro eixo do projeto envolve a ampliação da produção de soros e a criação de uma área multipropósito. Com investimentos acima de R$ 232 milhões, a unidade deve alcançar a capacidade de produzir até 5,5 milhões de frascos de soro líquido por ano, além de imunobiológicos na forma liofilizada.
O governo destacou que os investimentos fazem parte da política de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, que busca integrar pesquisa, inovação, produção e regulação no setor. Atualmente, o Instituto Butantan participa de dezenas de projetos de desenvolvimento produtivo e inovação, muitos deles com apoio direto do Ministério da Saúde.
Segundo dados oficiais, os investimentos federais no complexo industrial da saúde somam cerca de R$ 15 bilhões desde 2023. Já o Novo PAC prevê R$ 31,5 bilhões para obras, equipamentos e expansão da infraestrutura do SUS em todo o país.
Reconhecido como o maior produtor de vacinas e soros da América Latina, o Instituto Butantan é responsável por grande parte dos imunizantes distribuídos no Brasil, incluindo a totalidade das vacinas contra a gripe usadas nas campanhas nacionais, além de soros contra venenos de animais peçonhentos e outras toxinas.
Agência Gov