
Familiares de presos entraram em desespero na entrada dos presídios, em busca de notícias, durante a rebelião
Presidiários se rebelaram neste domingo (01/12), à tarde, iniciando a mais sangrenta rebelião da história do Amazonas, que só encerrou no começo da manhã desta segunda. Trata-se de um confronto entre integrantes dos grupos criminosos Família do Norte (FDN), que representa o carioca Comando Vermelho (CV) no Estado, e do paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). “É mais um capítulo da guerra de facções”, reconheceu hoje (02/01) o secretário estadual de Segurança, Sérgio Fontes. Os dois grupos se rivalizam nos presídios. Foram contados 65 mortos e fala-se em mais de 100 fugitivos, dos quais 40 foram recapturados.
A contagem está sendo concluída, neste momento, por policiais do Comando de Policiamento Especial (CPE), COE, Choque, Rocam, canil etc. No Instituto Penitenciário Antônio Trindade (Ipat), de 1.210 presos fugiram 87. A contagem prossegue no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).
Os presidiários iniciaram fuga em massa no Ipat às 14h do domingo, para atrair a atenção dos policiais, e então, às 16h, começou a chacina de integrantes do PCC no Compaj. Os dois presídios estão localizados no KM-8 da rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista).
Um caminhão com carne, admitido pela administração do presídio, teria levado as armas usadas na rebelião, onde diversos agentes penitenciários foram feitos reféns. Há informação ainda que familiares de presidiários receberam permissão para dormir nas festas de fim de ano no presídio.

A agonia da incerteza sobre os internos continuava na manhã desta segunda (02/01). Foto: Artur Castro
Um dos líderes da facção paulista, conhecido como Nego Sabá, foi dos primeiros a ser morto. O ex-PM Moacir Jorge da Costa, o Môa, ex-segurança do falecido deputado estadual Wallace Souza, também está entre os assassinados. Môa teria participado do homicídio de Cleomir Pereira Bernardino, o Caçula, em 2007, sendo condenado a 12 anos de cadeia por isso. Ameaçado dentro do presídio, ele havia sido recolhido ao isolamento e foi morto no local, depois incendiado.

O incêndio provocado pelos detentos rebelados pode ser visto bem longe

Armas usadas pelos presos na rebelião teriam entrado num caminhão que levou carne

Inscrições com nomes de grupos criminosos foram encontradas na revista realizada após a rebelião

As inscrições demonstram como os internos se organizam

Fim da rebelião e os carros funerários fizeram fila para recolher os 55 corpos
Fotos e vídeos da chacina estão circulando nas redes sociais e até em blogs e portais. Um deles apresenta o momento em que Môa teria sido decapitado. Este portal não exibe, por questão ética, fotografias de mortos ou imagens de mortes.
Veja trecho da entrevista concedida há pouco pelos secretários de Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio, e de Segurança Pública (SSP), Sérgio Fontes:[KGVID]http://www.portaldomarcossantos.com.br/wp-content/uploads/2017/01/rebeliao-entrevista.mp4[/KGVID]