
Boi Caprichoso repudia ataques racistas contra Marciele Albuquerque após repercussão no BBB
A Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso divulgou, nesta quinta-feira (22/1), uma nota de repúdio contra ataques virtuais, comentários ofensivos e manifestações de preconceito direcionadas à cunhã-poranga Marciele Albuquerque, mulher indígena do povo Munduruku e uma das representantes da cultura amazônica em evidência nacional após a repercussão envolvendo o Big Brother Brasil (BBB).
Segundo a entidade, as agressões ultrapassam qualquer noção de rivalidade cultural e configuram práticas de racismo, injúria racial, machismo e violência contra povos originários, muitas vezes disfarçadas sob o argumento de disputa entre torcidas. O Caprichoso reforça que o Festival de Parintins é um dos maiores símbolos culturais do Brasil, sustentado historicamente pelo respeito, pela arte e pela diversidade, e que a rivalidade sempre teve espaço legítimo apenas na arena, nunca no ódio.
Na nota, o boi azul destaca o caráter histórico e simbólico da presença de Marciele como cunhã-poranga. Mais do que um item do festival, ela representa a representatividade das mulheres indígenas, dos povos da floresta e de comunidades que, por séculos, tiveram suas vozes silenciadas. “Quando uma mulher indígena ocupa espaços de destaque, infelizmente ainda surgem tentativas de apagamento, mas é justamente nesses momentos que a resistência se fortalece”, ressalta o texto.
O Caprichoso também lembra a trajetória de Marciele para além do Bumbódromo. A cunhã-poranga já levou as pautas dos povos indígenas a espaços nacionais e internacionais, como a Marcha das Mulheres Indígenas, a ONU, a COP-30 e outros fóruns globais, tornando-se uma vitrine da identidade, da luta e da dignidade dos povos da Amazônia.
A associação aproveitou a manifestação para reafirmar sua defesa do respeito acima das rivalidades, citando como exemplo a postura adotada em 2024, quando, diante da projeção nacional gerada pelo BBB, o boi azul optou por apoiar Isabelle Nogueira, cunhã-poranga do Boi Garantido, entendendo que a visibilidade ultrapassava o festival e se tornava uma oportunidade de divulgar Parintins e a cultura amazônica para o Brasil e o mundo.
Ao final, o Boi Caprichoso reforça seu compromisso inegociável com a diversidade, com os povos originários e com o enfrentamento a toda forma de preconceito. “Quando uma mulher indígena é atacada, todo o povo amazônico é convocado a se levantar”, conclui a nota.
Confira a nota na íntegra