03/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Lei do Amazonas reforça proteção infantil no ambiente digital

Publicado em 21 de janeiro, 2026

Lei do Amazonas reforça proteção infantil no ambiente digital

Debate nacional sobre mudanças em jogo online reacende defesa de regras para exposição de crianças e adolescentes na internet  (Foto: Divulgação)

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), deputado estadual Roberto Cidade, voltou a defender a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital diante da repercussão nacional envolvendo o influenciador Felca e usuários da plataforma de jogos Roblox.

O episódio, marcado por protestos de crianças após o anúncio da restrição do chat de voz para o público infantil, reacendeu o debate sobre responsabilidade digital, exposição precoce e a necessidade de regras claras para a atuação de influenciadores e plataformas online. A polêmica ganhou força com a circulação de áudios e vídeos nas redes sociais em que crianças demonstram insatisfação com as mudanças anunciadas pela plataforma, atribuindo ao influenciador Felca parte da responsabilidade pela decisão da empresa. O caso evidenciou um público infantojuvenil cada vez mais presente e vulnerável no ambiente virtual.

No Amazonas, esse debate já vinha sendo tratado de forma preventiva. Em 2025, foi sancionada a Lei Ordinária nº 7.763, de 15 de setembro, de autoria do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, que estabelece diretrizes para a participação de crianças e adolescentes como influenciadores digitais ou criadores de conteúdo com fins comerciais ou promocionais, posicionando o estado na vanguarda da proteção digital no país.

A legislação busca coibir o trabalho infantil virtual, exigir o acompanhamento dos responsáveis legais e impedir exposições abusivas que possam comprometer o desenvolvimento emocional, psicológico e social de menores. Para Roberto Cidade, a internet não pode ser um território sem regras quando envolve esse público, já que a exposição precoce, sem critérios e responsabilidade, pode causar danos sérios e duradouros à saúde de crianças e adolescentes. Segundo ele, a iniciativa do Amazonas antecipa um debate que agora ganha dimensão nacional e visa garantir que o crescimento no ambiente digital ocorra de forma segura e protegida.

O parlamentar também ressaltou que a Aleam tem histórico de atuação no combate a crimes virtuais e na proteção de públicos vulneráveis. Para ele, o episódio envolvendo o Roblox funciona como um alerta sobre a necessidade de equilíbrio entre entretenimento, inovação tecnológica e responsabilidade social. Ao comentar as manifestações de crianças contrárias à restrição do chat de voz, Cidade avaliou que o caso serve para chamar a atenção de pais, mães e responsáveis sobre os riscos da atuação infantojuvenil sem supervisão na internet, reforçando que a prioridade absoluta dos direitos da criança e do adolescente deve prevalecer, conforme determina a Constituição.

A lei amazonense estabelece princípios que devem ser observados na atuação de crianças e adolescentes como influenciadores digitais, como o respeito à dignidade, à imagem e à privacidade, a garantia do direito à educação e à convivência familiar e comunitária, a proibição de conteúdos vexatórios, violentos, sexuais ou que induzam ao consumo de produtos inadequados à faixa etária, além da vedação de trabalho disfarçado sob a forma de “diversão” quando houver intuito comercial.

Conforme a legislação, toda participação com fins comerciais deve ser previamente autorizada pelos pais ou responsáveis legais. Quando houver remuneração direta ou indireta, é obrigatória a formalização de contrato com a mediação dos responsáveis, bem como o acompanhamento de um responsável legal durante gravações, eventos promocionais e outras atividades. A norma também proíbe a exploração da imagem de crianças e adolescentes com finalidade exclusivamente lucrativa, sem a garantia dos direitos à educação, ao lazer e à saúde.

As mudanças anunciadas pelo Roblox começaram a ser implementadas em janeiro, com testes e expansão para outros países, incluindo a exigência de verificação de idade e a limitação da comunicação entre adultos e menores de 16 anos. A repercussão do caso, segundo o presidente da Aleam, evidencia a urgência de políticas públicas e marcos legais que acompanhem a realidade digital e assegurem proteção efeativa e à adolescência.

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