05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

PF investiga disseminação de doença entre ararinhas-azuis

Publicado em 03 de dezembro, 2025

PF investiga disseminação de doença entre ararinhas-azuis

Ação mira descumprimento de protocolos sanitários e possível propagação de circovírus em espécie criticamente ameaçada. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (3), a Operação Blue Hope, destinada a apurar a disseminação de uma doença que ameaça as ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii), espécie considerada criticamente ameaçada de extinção. As ações ocorrem em Curaçá, na Bahia, e em Brasília, no Distrito Federal.

Segundo a PF, cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos, com a participação de cerca de 30 agentes. O objetivo foi recolher aves e dispositivos eletrônicos que possam auxiliar na investigação.

As apurações preliminares apontam que empresas vinculadas ao programa de reintrodução da ararinha-azul teriam descumprido protocolos sanitários obrigatórios, favorecendo a entrada e a propagação do circovírus aviário (PBFD), doença altamente contagiosa, sem tratamento e capaz de comprometer não apenas a sobrevivência das ararinhas, mas também de outras espécies de araras, papagaios e periquitos.

A PF também identificou resistência às medidas emergenciais determinadas pelo ICMBio, como isolamento sanitário, testagens seriadas e recolhimento de aves de vida livre — ações consideradas essenciais para conter o avanço do vírus.

O Instituto Chico Mendes informou que o total de ararinhas-azuis infectadas pelo circovírus subiu para 31 em Curaçá. A origem do patógeno, no entanto, ainda é desconhecida. Na última atualização, apenas 11 resultados positivos haviam sido registrados.

A prioridade do órgão é frear a disseminação do vírus, cuja presença representa uma ameaça significativa para toda a população de psitacídeos da região.

Os envolvidos podem responder por disseminação de doença capaz de causar dano à fauna, morte de animais silvestres e obstrução de fiscalização ambiental. Somadas, as penas podem chegar a oito anos de reclusão.

A investigação segue em andamento para determinar responsabilidades e evitar novos impactos à espécie, símbolo dos esforços de conservação no país.

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