
Foto: Pitter Freitas
A história de um povo também vive na voz de seus guardiões. No Quilombo Santa Izabel, no Bairro Teixeirão, o encerramento do Novembro Negro ganhou um simbolismo especial com a presença de seu Clarizio Freitas Costa, 101 anos, patriarca da resistência negra e memória viva da luta por igualdade, dignidade e preservação cultural. A Prefeitura de Parintins realizou no sábado (29) uma grande Ação de Cidadania que marcou o fim das atividades do mês dedicado à consciência e ao combate ao racismo.
O momento recebeu o nome de “Referência Viva de Resistência”, em homenagem ao centenário quilombola que, cercado por filhos, netos e bisnetos, dançou, relembrou passagens da vida e reafirmou a força de sua trajetória. A filha, Clarice Castro, recordou que a história da família começa com os avós, que fugiram da África, chegaram à Vila Amazônia e seguiram para o Matupiri, no município de Barreirinha, onde nasceu o pai de seu Clarizio. Com a morte da avó, ele foi acolhido por uma família em Parintins, onde cresceu e se tornou referência comunitária.
Hoje, o patriarca recebe acompanhamento dos serviços socioassistenciais da Secretaria Municipal de Assistência Social, Trabalho e Habitação (Semasth), reforçando o compromisso de garantir cuidado e presença do poder público junto ao quilombo. A secretária Zeila Cardoso destacou que encontrar seu Clarizio é inspirador, e afirmou que trazer políticas públicas e atendimento humanizado fortalece o movimento pela igualdade racial, em nome do prefeito Mateus Assayag e da vice-prefeita Vanessa.

Foto: Pitter Freitas
Durante todo o mês, a Prefeitura apoiou atividades de valorização da identidade negra, com reflexões, caminhadas e rodas de diálogo. No encerramento, equipes do CRAS Paulo Corrêa estiveram no quilombo levando atendimentos socioassistenciais e serviços como emissão da Carteira do Idoso, Cadastro Único, BPC, Benefícios Eventuais, atendimentos com psicólogo, além de ações de embelezamento com designer de sobrancelhas e trancistas.
Coordenadora do Quilombo Santa Izabel, Leilane Belém afirmou que o apoio recebido reforça o compromisso com a proteção, o acolhimento e o fortalecimento das histórias que moldam o povo negro do território. Ela destacou a importância do acesso aos serviços e lembrou que a cidadania é um direito: “Nesse mês fomos para a rua, levamos nossa história e hoje encerramos com chave de ouro”, agradeceu.
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