05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

COP 30 em Belém avança em pautas climáticas, mas deixa impasses

Publicado em 26 de novembro, 2025

Segundo dia da Cúpula do Clima terá debates sobre transição energética

Conferência na Amazônia reconhece transição pós-combustíveis fósseis, amplia fundos climáticos e destaca florestas, mas metas obrigatórias ficam para depois. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A COP 30 transformou Belém (PA) no epicentro da agenda climática mundial em 2025. Pela primeira vez na Amazônia, a conferência reuniu chefes de Estado, cientistas, negociadores, lideranças indígenas e representantes de empresas e organizações civis para discutir caminhos para conter o aquecimento global. Após duas semanas de debates intensos, o encontro terminou com avanços políticos relevantes, decisões parciais e impasses que continuam abertos.

O principal resultado foi o chamado “Pacto de Belém”, que reconhece, pela primeira vez em um documento oficial da ONU, a necessidade de eliminar progressivamente os combustíveis fósseis. O texto é considerado um marco simbólico importante, mas não estabeleceu datas vinculantes ou metas obrigatórias, o que gerou críticas de delegações mais ambiciosas e de organizações ambientais. A transição energética, embora reafirmada, permanece dependente das ações voluntárias de cada país.

Outro ponto central foi o reforço financeiro aos mecanismos internacionais. Países desenvolvidos anunciaram cerca de US$ 21 bilhões para o Fundo de Perdas e Danos e para o Fundo Verde do Clima até 2030. O valor supera aportes de conferências anteriores, mas ainda é insuficiente diante das demandas dos países vulneráveis, que estimam a necessidade de cifras muito maiores para adaptação e mitigação.

A regulamentação dos mercados de carbono avançou com regras mais claras para garantir integridade ambiental e evitar dupla contagem de créditos. A medida abre espaço para ampliar negociações bilaterais e fortalecer o mercado voluntário. Entretanto, a governança plena dos mecanismos ficou incompleta, deixando parte do sistema para futuras rodadas de negociação.

Realizada no coração da Amazônia, a COP 30 deu protagonismo inédito à proteção das florestas tropicais. Países amazônicos, africanos e asiáticos formalizaram a Aliança Global de Povos da Floresta, ampliaram compromissos voluntários de desmatamento zero até 2035 e anunciaram novas iniciativas de financiamento para monitoramento e pagamento por serviços ambientais. Lideranças indígenas tiveram participação mais ampla nas plenárias e influenciaram a redação de trechos sobre justiça climática e governança territorial.

Na agenda de adaptação, delegações aprovaram parâmetros globais para monitoramento de vulnerabilidade, reforço à infraestrutura resiliente e priorização de investimentos para países costeiros e populações em situação de risco. Mesmo assim, a ausência de recursos específicos limitou o alcance imediato das medidas.

Politicamente, Belém conseguiu aproximar blocos tradicionais e destravar pautas sensíveis, como reconhecimento das florestas como ativos centrais na mitigação climática. A presença massiva de universidades, estados, municípios e movimentos sociais também marcou a conferência. A logística e a organização do evento foram bem avaliadas pelas delegações, que destacaram o simbolismo de realizar a COP dentro da Amazônia.

Entre os principais impasses, ficaram sem solução metas obrigatórias para eliminação de combustíveis fósseis, compromissos financeiros compatíveis com a urgência climática e avanços mais robustos na agricultura sustentável. Mesmo com progressos técnicos, o mundo permanece distante das metas do Acordo de Paris, e o IPCC reiterou, durante o encontro, que as promessas atuais não garantem limitar o aquecimento a 1,5°C.

Apesar das lacunas, a COP 30 consolidou avanços moderados e posicionou Belém como palco histórico da diplomacia climática. O encontro reforçou a centralidade da Amazônia na agenda global, ampliou o espaço de povos tradicionais e reacendeu discussões sobre justiça climática e bioeconomia. A conferência se encerrou com a sensação de que houve progresso, mas de que as decisões tomadas ainda não são suficientes para enfrentar a crise climática em sua escala real.

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