
Segundo uma autoridade americana, Trump acredita que o aumento da pressão pode levar Maduro a renunciar sem que seja necessário recorrer à força (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Os Estados Unidos (EUA) oficializaram, nesta segunda-feira (24), a inclusão do chamado Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas estrangeiras. A decisão adiciona um novo conjunto de sanções ao grupo, que, de acordo com Washington, envolve o líder venezuelano Nicolás Maduro e outros integrantes de alto escalão do governo.
A reação de Caracas veio rapidamente: o regime venezuelano classificou a iniciativa norte-americana como um “plano ridículo” e reafirmou que o cartel não existe. Especialistas, no entanto, apontam que o termo é utilizado há anos para descrever uma rede informal de militares e agentes de segurança supostamente ligados ao tráfico de drogas — ainda que alguns estudiosos questionem se o grupo opera de forma estruturada.
Apesar de a classificação permitir punições mais severas, analistas jurídicos ressaltam que ela não concede autorização explícita para o uso de força letal. Mesmo assim, autoridades dos EUA entendem que o enquadramento amplia as ferramentas militares à disposição do governo para atuar dentro da Venezuela.
A medida foi anunciada em meio ao aumento da presença militar norte-americana na região. A “Operação Lança Sul”, conduzida pelo Pentágono, já reuniu mais de uma dúzia de embarcações de guerra e cerca de 15 mil soldados. Segundo o governo americano, dezenas de pessoas morreram em ações contra embarcações envolvidas no tráfico de drogas.
Fontes consultadas pela CNN afirmam que Trump foi apresentado a múltiplos cenários de ação, que vão desde ataques a instalações venezuelanas até operações especiais — embora também se considere a possibilidade de não adotar qualquer intervenção militar.
No entanto, a opinião pública dos EUA mostra forte resistência. Uma pesquisa divulgada pela CBS News/YouGov no domingo revelou que 70% dos entrevistados rejeitam uma incursão militar na Venezuela, enquanto apenas 30% apoiam. Além disso, 76% afirmam que a Casa Branca não esclareceu qual é exatamente sua estratégia para o país vizinho.
O governo Trump justifica suas ações como parte de esforços para conter migração irregular e o fluxo de drogas. Ainda assim, interlocutores admitem que a pressão pode acabar acelerando uma mudança de governo em Caracas. Segundo uma autoridade americana, Trump acredita que o aumento da pressão pode levar Maduro a renunciar sem que seja necessário recorrer à força.
Nos últimos dias, Trump também acenou para uma solução negociada, afirmando que Maduro teria demonstrado interesse em dialogar. Ele indicou que estaria disposto a conversar “em algum momento”. A Casa Branca, entretanto, não respondeu aos questionamentos sobre o andamento dessa possível interlocução.
As tensões subiram novamente na quinta-feira (20), quando os EUA promoveram sua maior demonstração militar próxima ao território venezuelano. Dados públicos analisados pela CNN mostraram a aproximação de seis aeronaves americanas, entre elas um caça F/A-18E, um bombardeiro B-52 e aviões de reconhecimento.
O aumento do clima de instabilidade também afetou o setor aéreo. Segundo a Reuters, três companhias internacionais cancelaram voos que partiriam da Venezuela após um alerta da Administração Federal de Aviação dos EUA sobre riscos ao sobrevoar o espaço aéreo venezuelano.