14/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

TCU aponta que beneficiários do Bolsa Família transferiram R$ 3,7 bilhões para apostas em um mês

Publicado em 08 de novembro, 2025

Tribunal vê indícios de fraudes e uso irregular de CPFs em movimentações atípicas. (Foto: Reprodução)

Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que, em janeiro de 2025, cerca de R$ 3,7 bilhões foram transferidos de contas de beneficiários do Bolsa Família para plataformas de apostas on-line. O valor corresponde a aproximadamente 27% do total pago pelo programa naquele mês.

De acordo com o levantamento, cerca de 4,4 milhões de famílias — o equivalente a 22% dos lares atendidos — fizeram pelo menos uma transação para sites de apostas durante o período analisado. O estudo aponta ainda que apenas 4,4% dessas famílias foram responsáveis por 80% de todo o montante transferido.

Em casos extremos, algumas contas registraram movimentações superiores a R$ 1 milhão ou até R$ 2 milhões em apenas um mês, o que o TCU considera totalmente incompatível com o perfil socioeconômico dos beneficiários do programa.

Apesar dos valores expressivos, o tribunal estima que o impacto direto sobre o orçamento do Bolsa Família seja de cerca de R$ 162 milhões, o equivalente a 1,1% dos gastos totais registrados em dezembro de 2023.

O TCU aponta que as transações levantam suspeitas de uso indevido de CPFs de beneficiários, lavagem de dinheiro e ocultação de ganhos ilícitos. Por essa razão, determinou que o Banco Central e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social elaborem, em até 90 dias, um plano de ação para identificar e coibir possíveis fraudes.

O tribunal também alerta que a destinação de recursos do programa a apostas on-line pode agravar a vulnerabilidade de muitas famílias, desviando valores que deveriam ser usados para alimentação, educação e saúde.

Para os auditores, a concentração das movimentações em poucas contas indica que o problema pode estar relacionado a esquemas estruturados de fraude, e não apenas ao comportamento individual de beneficiários.

O caso reacende o debate sobre a necessidade de maior controle financeiro e cruzamento de dados entre programas sociais e plataformas de apostas digitais, especialmente em um cenário de crescente digitalização dos serviços financeiros no país.

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