
Grupo atuava há três anos e é acusado de fraudar benefícios do INSS em vários municípios do estado. (Foto: Reprodução)
Uma quadrilha especializada em aplicar golpes contra idosos foi desarticulada na manhã desta sexta-feira (7) durante a operação “Cavalo de Tróia”, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) em Manaus. O grupo também atuava em outros municípios do estado, como Lábrea e Borba, e teria causado prejuízo a milhares de vítimas.
De acordo com o delegado Jorge Arcanjo, titular da 74ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), as investigações duraram cerca de três meses e identificaram mais de 3,7 mil ações fraudulentas, que resultaram em mais de quatro mil vítimas. “Eles faziam mutirões e visitavam idosos em busca de possíveis descontos indevidos nos benefícios do INSS. Depois, realizavam empréstimos consignados e, em alguns casos, ficavam com todo o valor do empréstimo”, explicou o delegado.
Entre os presos está o advogado Helionay Pinheiro, apontado como líder do grupo. Também foram detidos Jonatas Santos da Silva, Gessilda Rodrigues Brasil, Thaylon Gabriel de Matos Cordeiro, Adriano de Souza Passos, Thaís Alves da Silva e Laíssa de Souza Martins.
Durante o cumprimento dos mandados, a polícia apreendeu carros de luxo, celulares, documentos e outros bens adquiridos com o dinheiro dos golpes. Todos os envolvidos foram levados à delegacia e responderão pelos crimes de estelionato, falsificação de documentos e associação criminosa.
A estudante de Direito Laíssa de Souza Martins, uma das presas, se apresentava nas redes sociais como “jovem empreendedora jurídica” e mentora para estudantes de Direito. Em seu perfil, prometia ensinar “o caminho mais curto e mais ético para conquistar clientes e renda no início da carreira”.
Segundo o delegado Arcanjo, Laíssa cursava o terceiro semestre de Direito e auxiliava o grupo na parte burocrática das fraudes. Já outro integrante, Adriano de Souza Passos, era responsável por viajar aos municípios para recrutar moradores locais e identificar possíveis vítimas.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM) informou, em nota, que acompanha o caso desde as primeiras horas da operação para garantir o respeito às prerrogativas profissionais e ao devido processo legal.
“A OAB Amazonas reitera que qualquer violação às garantias legais da profissão será objeto de apuração rigorosa e das providências institucionais cabíveis. A entidade reafirma, ainda, seu compromisso permanente com a defesa da legalidade e com a proteção dos direitos e prerrogativas da classe”, declarou a instituição.