01/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Repórter Tropical retorna ao rádio e desperta memória afetiva dos amazonenses

Publicado em 06 de junho, 2026

Repórter Tropical retorna ao rádio e desperta memória afetiva dos amazonenses

“Se a Tropical não deu, nada aconteceu”. A frase, eternizada nas vinhetas da Rádio Cidade Tropical, atravessou décadas e permanece viva na memória de milhares de amazonenses. Agora, o tradicional “Repórter Tropical” retorna às ondas do rádio em Manaus, resgatando uma das marcas mais emblemáticas do radiojornalismo amazonense.

Muito antes da internet, das redes sociais e das notificações em tempo real, o rádio era a principal fonte de informação imediata da população. Era pelo “Repórter Tropical” que os ouvintes acompanhavam os resultados dos vestibulares da antiga Universidade do Amazonas (UA), os plantões policiais, a abertura das urnas nas eleições e as emoções dos jogos no estádio Vivaldão – onde hoje fica a Arena da Amazônia.

Fundada em abril de 1970, a Rádio Cidade Tropical construiu sua história como uma das emissoras mais tradicionais da Amazônia. A rádio nasceu originalmente como Tropical FM 99,3 e ficou conhecida pelo pioneirismo tecnológico. Registros históricos apontam que a emissora foi a primeira rádio FM estéreo do Brasil e uma das pioneiras da América Latina nesse modelo de transmissão.

Rede Cidade

Na década de 1980, a emissora firmou parceria com a Rede Cidade, do Rio de Janeiro, consolidando o nome “Cidade Tropical” e ampliando sua audiência entre o público jovem e popular. Após o encerramento da rede nacional, em 1992, a rádio passou a investir em programação regional e fortaleceu ainda mais sua identidade amazonense.

É nesse contexto de memória e tradição que o “Repórter Tropical” retorna ao ar, reunindo jornalistas com longa trajetória na comunicação amazonense. À frente do programa está o jornalista Meike Farias, que celebra o reencontro com o rádio justamente no ano em que completa 30 anos de carreira.

Carreira

“Voltar à bancada da Rádio Cidade no ano em que completo 30 anos de carreira, é voltar às minhas raízes. Reviver a atmosfera do rádio diariamente, restabelecendo o contato com o ouvinte, é um exercício que exige responsabilidade e ética na apuração. Ao mesmo tempo, é um privilégio transmitir notícias em uma emissora com tanta história”, afirma Meike.

Além dele, a bancada conta com André Tobias, Emerson Quaresma, Leanderson Lima e Rodrigo Araújo – profissionais reconhecidos principalmente pela atuação no jornalismo impresso.

“Durante toda a minha vida profissional trabalhei em jornais impressos de Manaus. Então, está sendo um grande desafio desbravar essa mídia fascinante”, comenta Rodrigo Araújo.

Comunicação

Para Emerson Quaresma, o retorno ao jornalismo por meio do rádio representa uma reconexão com a essência da comunicação popular.

“É um desafio aliar o estilo do jornal impresso à necessidade de comunicar de forma simples e direta em uma rádio popular, que, mesmo diante da concorrência da TV e da internet, continua sendo uma grande plataforma de comunicação de massa”, destaca.

Já o jornalista Leanderson Lima define a experiência como um reencontro afetivo.

“A Rádio Cidade faz parte da minha memória afetiva. Cresci ouvindo a emissora e, hoje, desenvolver um projeto especial aqui é algo realmente marcante”, afirma.

Legado histórico

A trajetória da emissora se confunde com a própria história da comunicação no Amazonas. Em depoimento emocionado, o empresário Antônio Malheiros, um dos nomes históricos ligados à rádio, destacou a importância da Cidade Tropical para diferentes gerações de ouvintes.

“Quando a gente criou a Rádio Cidade, o nosso objetivo sempre foi estar perto do povo. O rádio tem uma força que nenhuma outra mídia consegue substituir completamente: ele entra na casa das pessoas, acompanha o trabalhador, o motorista, o ribeirinho, o comerciante, o estudante. O ‘Repórter Tropical’ nasceu justamente desse compromisso de informar com rapidez, responsabilidade e credibilidade”, relembra Malheiros.

Segundo ele, o retorno do programa representa a continuidade de um legado construído ao longo de décadas. “Ver esse programa voltar ao ar hoje é motivo de muito orgulho. A tecnologia mudou, os meios mudaram, mas a essência da comunicação continua sendo servir às pessoas. Enquanto existir um amazonense ligando o rádio para buscar informação, a Rádio Cidade continuará tendo sentido”, afirma.

Anos 1970

Malheiros também recordou o surgimento do “Repórter Tropical”, ainda nos anos 1970, ao lado de Paulo Feitosa e do coronel Orlando, em um período em que os plantões radiofônicos eram fundamentais para manter a população informada. “O legado que eu quero deixar é esse: ‘Se a Tropical não deu, não aconteceu’. A Rádio Cidade é um patrimônio do povo amazonense”, declarou.

Para ele, mesmo diante das transformações tecnológicas, o rádio segue preservando uma relação de proximidade e confiança com o público.

“Mesmo com o avanço das plataformas digitais, dos podcasts e das redes sociais, o rádio continua tendo uma relação muito forte com o povo amazonense. O ‘Repórter Tropical’ volta justamente para reafirmar essa conexão que atravessa gerações. Mais do que um programa jornalístico, ele representa uma época em que Manaus acompanhava os principais acontecimentos pelo rádio — e eu acredito que essa essência continua viva até hoje, tanto entre os ouvintes antigos quanto entre os mais jovens”, conclui Antônio Malheiros.

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.