
Encontro de Tenores emociona público no Teatro Amazonas e confirma nova edição para 2026
O 14º Encontro de Tenores do Brasil encerrou o fim de semana em clima de emoção e celebração no Teatro Amazonas, reunindo grandes nomes da música erudita nacional e internacional em homenagem ao Dia Mundial da Ópera (25 de outubro).
O espetáculo, idealizado e produzido pelo tenor Miquéias William, contou com duas noites de apresentações — sábado e domingo (25 e 26/10) — e emocionou o público com interpretações vibrantes, repertório de clássicos e participações especiais.
“Esta edição teve um nível técnico extraordinário, tanto dos tenores quanto da orquestra. A presença e o carinho do público superaram as expectativas e mostram que a ópera segue viva e querida na Amazônia”, destacou Miquéias William, ao confirmar a realização da próxima edição em 2026.
O concerto reuniu os tenores Rim Park (Coreia do Sul), Vitório Scarpi (Paraná), Eduardo Machado (Goiás) e o próprio Miquéias William (Amazonas), acompanhados pela Orquestra Filarmônica do Amazonas, sob regência do maestro Otávio Simões, e participação especial de David Assayag.
A abertura trouxe dois grandes clássicos da ópera mundial: O Guarani, de Carlos Gomes, e A Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner, interpretados com maestria pela orquestra e aclamados pelo público. Em tom bem-humorado, o maestro Otávio Simões arrancou risos da plateia ao brincar: “O maestro Zubin Mehta tinha três tenores. Eu tenho quatro!”, em referência ao lendário trio formado por Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras.
Entre os momentos mais marcantes, o sul-coreano Rim Park emocionou com Arirang, canção tradicional considerada um hino das duas Coreias. Miquéias William apresentou uma versão sensível de Con te Partirò, enquanto Vitório Scarpi encantou com La donna è mobile, de Verdi, e Eduardo Machado impressionou com técnica e emoção em De miei bolenti spiriti, da ópera La Traviata.
A presença de David Assayag, levantador de toadas do Boi Garantido, foi um dos pontos altos da noite. O artista uniu o lirismo da ópera à força das toadas amazônicas, fazendo o público cantar junto em Saga de um Canoeiro, Festa da Raça, Bicho Homem e Vermelho, esta última acompanhada pelos quatro tenores e pela orquestra sob aplausos intensos.
O encerramento reuniu todos os tenores em interpretações memoráveis de O Sole Mio, Nessun Dorma e Funiculì Funiculà, canção napolitana de Luigi Denza que levou o público a cantar e bater palmas no ritmo da música.
Mais do que um concerto, o evento foi um ponto de encontro entre gerações e tradições musicais. A estudante Ana Oliveira, admiradora da cultura coreana, relatou a emoção de assistir ao tenor Rim Park. “Eu já vim em outras edições com meus pais e, hoje, trouxe meus amigos. Foi emocionante!”, contou.
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