06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Obras dos amazonenses Denilson Baniwa e Rodrigo Braga fazem parte de mostra de longa duração no Itaú Cultural, em SP

Publicado em 27 de outubro, 2025

Denilson Baniwa participa do núcleo Produção Recente, da exposição Brasil das Múltiplas Faces. Foto: Divulgação/Adrian Ikematsu

Logo ao sair do elevador que leva ao sétimo andar do Itaú Cultural (IC), o visitante encontra o imponente e delicado óleo sobre madeira Paisagem (1952), de Alberto da Veiga Guignard. É o começo de uma viagem por 185 obras de 150 artistas, pertencentes ao Acervo Itaú Unibanco, em uma exposição organizada à maneira de uma reserva técnica, apresentada como um tesouro a ser descoberto. Trata-se de Brasil das Múltiplas Faces, que marca a inauguração do Espaço Milú Villela – Brasiliana: Arte Moderna e Contemporânea. Desde o dia 22 de outubro, este novo piso oferece ao público mostras de longa duração focadas nas artes moderna e contemporânea produzida no país.

A curadoria da exposição é assinada por Agnaldo Farias, com concepção e realização da equipe Itaú Cultural e arquitetura de Daniel Winnik. O nome dado ao espaço homenageia Milú Villela, que presidiu e expandiu o Itaú Cultural (IC) durante 18 anos, de 2001 a 2019, e o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), entre 1995 e 2019. Psicóloga, gestora cultural e filantropa, a vida de Milú é dedicada à democratização do acesso à arte e à cultura.

‍Por sua vez, o nome Brasil das Múltiplas Faces, que batiza a exposição inaugural deste espaço, dá pistas do que o público está para desvendar, em uma espécie de contação das várias histórias de arte no país. É uma narrativa que trabalha com o conceito de arte múltipla, buscando mostrar a complexidade do Brasil com um olhar que desafia a visão tradicional de uma única história da arte.

Assim, não se deve esperar um desencadeamento linear, cronológico ou eurocêntrico no percurso desta mostra. A linha curatorial se desvela entre um olhar para o passado, mas com a devida atenção para o contemporâneo e para artistas pertencentes a grupos antes marginalizados – como as produções afrodiaspóricas, de povos originários ou de artistas que não passaram por educação formal –, mas que são igualmente importantes na construção do patrimônio artístico brasileiro. Essa abordagem interdisciplinar visa descolonizar o olhar e revelar as riquezas dessas produções em suas complexidade e pluralidade.

Núcleos

Os trabalhos estão dispostos em 10 núcleos, compostos de traineis, como se usa nas reservas técnicas para a manutenção e conservação das obras de arte nos museus, galerias e coleções. São eles: Retratos, Dessemelhança!, Paisagem, Modernos, As Abstrações (geométrica e informal), Sonhos e distorções, Nova Figuração, Década de 1970, A Geração 80 e Produção recente.

Obras bidimensionais e tridimensionais

No total, abrigam 150 obras bidimensionais (entre pinturas, desenhos, gravuras e fotografias), 33 tridimensionais (esculturas e objetos) e dois vídeos – Mil Olhos (2018), de Lia Chaia, Ordinário (2023), de Berna Reale. O arco temporal vai de 1889 até o presente, em um conjunto de obras capaz de traçar um panorama da produção artística brasileira. Há, por exemplo, produções dos primórdios da Brasiliana, como as pinturas Violeiro na Janela (1899), de Almeida Júnior, e Itapema – Santos (1889), de Benedito Calixto.

“Por ser a primeira voltada para essa fração do Acervo Itaú Unibanco, esta exposição – na medida em que se junta à Coleção Brasiliana, apresentada no andar debaixo deste, e a expande – mereceu um tratamento especial, um embrião de recortes futuros. Daí a opção por uma expografia repleta de obras próximas umas das outras, sugerindo novos arranjos”, escreve ele em seu texto curatorial.

Em Retratos convivem no mesmo trainel obras de Di Cavalcanti e Rego Monteiro – e suas representações não tradicionais do povo brasileiro – ao lado de uma foto de Mario Cravo Neto, que mostra um rosto escondido por uma casca de tartaruga, e obras de artistas como Lasar Segall e Paulo Nazareth, entre outros.

Paisagem, para citar outro núcleo, cruza pinturas de artistas como José Pancetti e Guignard, cujas obras destacam a relação com a natureza, e fotografias como as de Luiz Braga, contornadas pela geografia e limites naturais das cenas registradas. O núcleo Abstrações percorre os anos de 1950, com artistas históricos como Hélio Oiticica, Lothar Charoux, Maria Leontina, Alfredo Volpi, Arthur Luiz Piza, Ivan Serpa e Mira Schendel, até trabalhos recentes.

Em um salto pelos variados núcleos, chega-se a Produção Recente, que segue na esteira do debate decolonial e de produções antes menosprezados, cujos autores, atualmente, corrigem distorções na narrativa da história do Brasil. Entre eles e elas: Rosana Paulino, Arjan Martins, Jaime Lauriano, Jaider Esbell, Denilson Baniwa, Carmézia Emiliano e o Movimento dos Artistas Huni Kuin (Coletivo MAHKU).

Serviço

Espaço Milú Villela – Brasiliana: Arte Moderna e Contemporânea

Abertura para o público: 22 de outubro de 2025

Brasil das múltiplas faces – Exposição de longa duração

‍Terça-feira a sábado, das 11h às 20h

‍Domingos e feriados das 11h às 19h

7º andar do Itaú Cultural (avenida Paulista, 149, próximo à estação Brigadeiro do metrô)

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