
La Libertad Avanza (LLA) teve 40,8% dos votos apurados até agora (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
O partido do presidente argentino, Javier Milei, La Libertad Avanza (LLA), conquistou a vitória nas eleições legislativas deste domingo (26), obtendo 40,8% dos votos, segundo informou o chefe do gabinete de ministros, Guillermo Francos, com mais de 90% das urnas apuradas.
O resultado representa um reforço importante para o governo, permitindo ao ultraliberal consolidar sua presença no Congresso e aumentar sua capacidade de aprovar reformas em uma economia ainda fragilizada. O bloco opositor peronista, Fuerza Patria, ficou em segundo lugar, com 24,5% dos votos.
As eleições de meio de mandato são decisivas para Milei, que até agora contava com apenas 15% dos deputados e 10% dos senadores. Com os novos resultados, o presidente estima alcançar um terço dos assentos parlamentares, número considerado suficiente para exercer vetos presidenciais e ter mais influência nas negociações legislativas.
Apesar da vitória, analistas afirmam que Milei precisará adotar uma postura mais pragmática para garantir o avanço de suas pautas. Desde 2023, o presidente tem recorrido a decretos e acordos pontuais, mas a relação com o Parlamento ficou desgastada nos últimos meses, devido à rigidez de seu governo e declarações polêmicas, como chamar parlamentares de “ninho de ratos” e “degenerados”.
O presidente recebeu pressão de setores moderados da oposição, da economia e de organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, para ampliar seu apoio político e social, essencial para implementar reformas estruturais previstas até 2027. Entre elas estão ajustes fiscais, flexibilização do mercado de trabalho e mudanças no sistema de proteção social.
Milei chega às eleições com méritos econômicos, como a redução da inflação de mais de 200% para 31,8% ao ano e a obtenção de um equilíbrio orçamentário não visto há 14 anos. No entanto, os ajustes rigorosos levaram à perda de mais de 200 mil empregos e a uma economia que encolheu 1,8% em 2024, com recuperação lenta em 2025.
Agência Brasil