17/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

“Não existe Planeta B”, alerta astrofísico às vésperas da COP30

Publicado em 25 de outubro, 2025

Foto: Frame TV Brasil

A menos de três semanas do início da COP30, em Belém (PA), lideranças mundiais engajadas em discutir as mudanças do clima afinam o discurso com cientistas que estão preocupados com o futuro da Terra e com a resistência das espécies do planeta, entre elas, a espécie humana.

Para o astrofísico Ricardo Ogando, do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (MCTI), a Terra é “a nossa única opção”. Ele está alinhado com o movimento global de astrônomos e voluntários Astronomers for Planet Earth (Astrônomos pelo Planeta Terra), que defende soluções práticas em prol da regeneração do planeta.

Em entrevista exclusiva, Ogando reforçou a importância do planeta Terra e de investimentos em políticas públicas a favor do meio ambiente. Ele exclui, por uma série de fatores científicos, a crença futurística de habitarmos um “Planeta B”, em um futuro próximo ou remoto.

“São vários fatores que você tem que conjugar para chegar a um planeta que seja habitável. Mas, ainda tem a questão de conseguir chegar lá. Ou seja, nosso planeta é algo muito extraordinário mesmo”, explica Ogando.

Para o astrofísico, nem mesmo Marte, nosso planeta vizinho, e com missões programadas para as próximas décadas, seria habitável. Além de questões de infraestrutura e de habitação, ele pondera os investimentos: “É muito mais barato ficar na Terra e cuidar dela. Essa é uma conta fácil de fazer”.

Acompanhe trechos da entrevista para o podcast S.O.S! Terra Chamando!, uma parceria da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e da Fundação Oswaldo Cruz, que estreia no dia 3 de novembro, na Rádio MEC.

Agência Brasil: Por que a humanidade precisa entender que a Terra é um planeta especial?

Ricardo Ogando: A Terra é especial porque é o único planeta em que há vida, segundo a conhecemos. Nesse momento específico, em que se fala muito em emergência climática, é possível fazer um paralelo com a saúde — o planeta Terra está febril. Pode-se dizer que está num processo de inflamação. E para tratar é preciso parar com a fonte desse problema, para que a humanidade e outras espécies continuem vivendo aqui. Não há outra alternativa. Os prejuízos vão ser divididos entre todos nós, especialmente para comunidades mais vulneráveis. Episódios extremos de chuvas têm mostrado como esse fenômeno afeta a sociedade humana e precisa ser enfrentado com cuidado.

Agência Brasil: Como frear a degradação da Terra?

Ricardo Ogando: As atitudes individuais são importantes, mas precisamos também de políticas públicas efetivas. Por exemplo, o consumo de canudos de plástico: é possível oferecer outras opções, mas se fornecedores continuam produzindo, o problema persiste. É preciso atacar a raiz com regulação.

Agência Brasil: Há esperança de encontrarmos uma “Terra 2.0”?

Ricardo Ogando: Essa visão futurista de “Planeta B” ainda está muito longe. Não existe nada palpável. As perguntas “estamos sozinhos no Universo?” e “existem outros lugares para expandirmos a humanidade?” ainda estão sem resposta.

Agência Brasil: Quais os principais desafios para encontrar um planeta habitável?

Ricardo Ogando: Primeiro, procurar uma estrela similar ao Sol. Depois, achar um planeta rochoso, com água líquida e condições propícias para a vida. E ainda tem a questão de chegar até lá. Nosso planeta é extraordinário. O planeta Terra é o videogame da vida no modo fácil — e sem direito a continuar. Estamos adicionando mais desafios com a emergência climática.

Agência Brasil: Marte pode ser uma nova casa para a humanidade?

Ricardo Ogando: Marte é menor que a Terra e tem uma atmosfera muito tênue. Em sua geologia, há sinais de um passado com água, mas hoje não possui condições adequadas para vida. Além disso, a sustentabilidade e a viabilidade financeira de manter humanos lá seria muito baixa.

Agência Brasil: Vale investir bilhões em missões para Marte?

Ricardo Ogando: Podemos atacar problemas em paralelo, mas usar como justificativa que a Terra não pode mais ser salva é errado. Se estamos acabando com a vida aqui, vamos acabar em outro planeta também. Em Marte, tudo seria artificial e custaria mais caro. É muito mais barato cuidar da Terra. Continuar pesquisando outros planetas é útil, pois nos ajuda a entender o nosso e nos preparar para o futuro — mas o futuro é aqui.

Agência Brasil: Por que o planeta pede socorro?

Ricardo Ogando: A Terra está gritando e quem pode resolver precisa escutar. A emergência climática tem origem no nosso estilo de vida e consumo, que extrai do planeta mais do que ele pode dar. É preciso regular atividades que promovem destruição desmedida. Temos que cuidar do planeta agora.

Agência Brasil

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