Há alguns anos atrás, muitas pessoas se empolgaram com a Copa e as Olimpíadas no Brasil. Talvez fazendo média, governantes empolgaram a população, mas os mais críticos sempre alertavam para os gastos exagerados e os constantes “termos aditivos”, que invariavelmente acompanham os contratos com as empreiteiras.
O tempo passou e as denúncias vieram à tona, acompanhadas de perto por operações que sacudiram o Brasil. A crise chegou com força, incomodando até quem era a favor. Todos queríamos que o chamado legado da Copa e das Olimpíadas melhorasse as nossas vidas (transportes públicos decentes e eficientes, segurança pública, infraestrutura, aeroportos, mais crianças praticando esportes e nas escolas, etc.), mas olhando com atenção, poucas cidades foram favorecidas. Outras só realizaram melhorias no entorno dos locais dos eventos.
O problema não é trazer para cá grandes eventos. É pagar pelos altos custos das obras e das suas realizações. Você imagina quanto custa manter a segurança dos participantes e das equipes mais visadas pelo terrorismo internacional? Os deslocamentos e a atuação de milhares de voluntários e da força policial é algo que custa caro e que jamais estará, daqui pra frente, à disposição da população brasileira.
Terminando os eventos, os pobres mortais voltarão a enfrentar longas filas nos hospitais e paradas de ônibus, assaltos, escolas abandonadas e vários “elefantes brancos” inúteis, que precisarão de verbas públicas para a manutenção.
Notícias mostram que o Rio de Janeiro, totalmente falido, mas feliz, passará muitos anos para pagar as dívidas contraídas com os jogos olímpicos. E aí surge uma indagação: estamos enfrentando uma das maiores crises econômicas e políticas da história brasileira e persistem as desigualdades e as mazelas sociais. O custo/benefício valeu a pena? O chamado legado será recompensador? Não estaríamos sendo usados por governantes populistas e vaidosos?
Claro que existe o lado extremamente positivo disso tudo. A festa de abertura das olimpíadas foi um verdadeiro espetáculo. O mundo conheceu as nossas riquezas culturais, a diversidade, a nossa história, o que destruímos ou construímos. Mostramos a todos o orgulho de sermos brasileiros e o quanto sabemos fazer bem feito.
Claro que uma coisa não invalida a outra (o bom e o ruim dos eventos estão interligados). Os brasileiros se mostram ao mundo como verdadeiros anfitriões. Os resultados começaram a aparecer com muita dificuldade, até porque pessoas esquecidas começam aparecer como heróis nacionais. Como é difícil, neste momento, esquecer que uns esportes são infinitamente mais ajudados financeiramente do que os outros.
O salário de apenas um jogador da seleção brasileira de futebol certamente é bem superior a muitas seleções femininas inteiras, e mesmo assim os resultados são pífios. É difícil, por exemplo, se cobrar resultados, quando o próprio poder público e a sociedade sequer ajudam certas modalidades.
Mesmo assim, é tempo de congraçamento, de troca de experiências e de se apostar definitivamente no esporte e na educação como fatores de inclusão social. O que deve ficar na mente de todos, principalmente na dos governantes e demais políticos, é que os valores olímpicos devem prevalecer. O respeito, a igualdade, a disciplina, a busca pela excelência e pela perfeição, a coragem, a persistência, a inspiração e a determinação. O saber ganhar e saber perder deverão nos acompanhar, sempre!
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* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.