05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Polícia investiga vídeo de tortura em cela de delegacia no interior do AM

Publicado em 08 de outubro, 2025

Polícia investiga vídeo de tortura em cela de delegacia no interior do AM

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) instaurou um inquérito para apurar um caso de tortura contra um detento dentro da 76ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Santa Isabel do Rio Negro, município localizado a 630 quilômetros de Manaus. O episódio veio à tona após a circulação de um vídeo nas redes sociais em que o preso aparece sendo agredido e humilhado por outros custodiados.

As imagens, registradas pelos próprios detentos, mostram a vítima em situação de constrangimento e violência física. O estado de saúde do homem não foi informado pelas autoridades. A PC-AM informou, em nota, que diligências estão em andamento para identificar os envolvidos e dar suporte às medidas determinadas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM).

Transferência

O MPAM solicitou a transferência dos presos da unidade para garantir a integridade física dos custodiados. De acordo com o órgão, a 76ª Delegacia Interativa de Polícia já havia registrado ocorrências semelhantes. Em fevereiro deste ano, cinco presos foram denunciados por tortura e associação criminosa após um episódio de agressão dentro da mesma cela. A Justiça determinou a transferência dos acusados para unidades prisionais adequadas, medida que aguarda execução pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

Outro caso foi registrado em agosto, e o processo de investigação ainda está em andamento. O Ministério Público informou que já apresentou parecer favorável à prisão de um suspeito apontado como mandante e à realização de busca e apreensão relacionada ao crime.

Carceragem

Durante inspeções realizadas nos dias 12 e 29 de setembro, o MPAM constatou a superlotação da carceragem da 76ª DIP, com número de detentos acima da capacidade prevista. A partir dessa constatação, o órgão recomendou à Seap a adoção imediata de providências para transferir os presos para estabelecimentos prisionais adequados, destacando que delegacias não devem ser utilizadas como presídios, conforme prevê a Lei de Execução Penal.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca identificar os responsáveis pelas agressões registradas em vídeo, enquanto o MPAM mantém o acompanhamento da situação para assegurar medidas de proteção e regularidade na custódia dos presos.

Veja a nota do MPAM na íntegra:

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio da Promotoria de Justiça de Santa Isabel do Rio Negro, informa que já acompanha a situação dos custodiados na 76ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) do município e tem adotado as providências necessárias para garantir a integridade física dos presos e a regularidade das condições de custódia.

Em relação ao vídeo que circula nas redes sociais, o MPAM esclarece que não se trata de um fato recente. Conforme apurado junto à autoridade policial, a última ocorrência registrada na unidade envolvendo conflito entre presos ocorreu em agosto deste ano.

Antes disso, houve outro episódio semelhante em fevereiro.

Sobre o caso de fevereiro, o Ministério Público já ofereceu denúncia contra cinco envolvidos, que foram acusados pelos crimes de tortura e associação criminosa. Em relação a esses custodiados, já existe decisão judicial determinando a transferência deles para unidades prisionais adequadas, medida que aguarda apenas a efetivação pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

Quanto ao episódio de agosto, a investigação segue em andamento na Delegacia de Polícia, e o MPAM já emitiu parecer favorável à prisão do suspeito apontado como mandante, bem como à realização de busca e apreensão.

Além disso, duas inspeções foram realizadas recentemente na 76ª DIP — a primeira, em 12 de setembro, pelo Ministério Público, e a segunda, em 29 de setembro, em ação conjunta entre o MPAM e o Juízo da Comarca. Em ambas, foi constatada a superlotação da carceragem, que abriga atualmente número de presos superior à sua capacidade.

Diante dessa situação, o MPAM expediu recomendação à Seap para que adote, em caráter de urgência, as medidas necessárias à transferência dos custodiados para unidades prisionais adequadas, reiterando que a delegacia não deve ser utilizada como presídio, conforme determina a Lei de Execução Penal.

O Ministério Público seguirá acompanhando o cumprimento das medidas determinadas e permanece vigilante quanto às condições de custódia e à preservação dos direitos humanos das pessoas privadas de liberdade.

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