
Justiça nega liberdade a coach que fornecia cetamina no caso Djidja
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Hatus Moraes Silveira, coach da família de Djidja Cardoso, preso preventivamente e acusado de tráfico de drogas e associação para o tráfico em Manaus.
Djidja, empresária e ex-sinhazinha do boi Garantido, foi encontrada morta em 28 de maio de 2024, com sinais de overdose por cetamina. De acordo com as investigações, Hatus teria atuado como um dos responsáveis por conseguir a substância usada pela família Cardoso.
A decisão que manteve Hatus preso foi assinada pelo ministro Sebastião Reis Júnior e publicada no Diário da Justiça Eletrônico em 29 de setembro.
A defesa alegava que a prisão era ilegal, principalmente porque o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) havia anulado a sentença contra os réus após reconhecer falhas no processo, entre elas a juntada tardia de laudos toxicológicos.
Os advogados também pediram a substituição da prisão por domiciliar, afirmando que Hatus sofre de osteomielite crônica, doença que não estaria sendo tratada de forma adequada no sistema prisional.
O ministro, no entanto, considerou que o habeas corpus não poderia ser usado para levantar teses ainda não analisadas em instâncias inferiores. Assim, o pedido foi rejeitado sem análise de mérito.
Com isso, Hatus permanece preso preventivamente, enquanto o processo retorna à fase de instrução na 3ª Vara de Delitos de Tráfico de Drogas de Manaus.
Djidja, que brilhou por cinco anos como sinhazinha no Festival de Parintins, foi encontrada morta em sua residência, cercada de frascos e seringas de cetamina. A droga teria sido introduzida na família pelo irmão, Ademar Farias, após uma viagem a Londres em busca de tratamento contra dependência química.
A partir daí, Ademar e a mãe, Cleusimar Cardoso, criaram o grupo religioso “Pai, Mãe, Vida”, no qual defendiam o uso da cetamina como forma de alcançar “elevação espiritual”. Durante os rituais, Ademar se apresentava como Jesus Cristo, Cleusimar como Maria, e Djidja seria Maria Madalena.
As investigações revelaram que, além do consumo indiscriminado da droga, integrantes do grupo teriam praticado violência sexual e até aborto forçado durante os encontros.