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A rotina escolar de dezenas de crianças da zona rural de Careiro Castanho foi interrompida pela falta de pagamento aos barqueiros contratados para o transporte fluvial. Sem receber salários e sem recursos para combustível, os condutores pararam as atividades, deixando alunos sem acesso às escolas. A situação foi denunciada pelo deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM), que protocolou representação no Ministério Público do Amazonas (MPAM) e no Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM).
Segundo Amom, recursos federais destinados ao transporte escolar já foram repassados à Prefeitura. Em 2019, por exemplo, o Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE) transferiu R$ 1,1 milhão para atender mais de 6 mil estudantes. “Não falta dinheiro. O que falta é gestão e prioridade. Enquanto sobram anúncios de obras que nunca saem do papel, as crianças ficam sem estudar. É vergonhoso e criminoso, porque estamos falando do direito básico à educação”, disse o parlamentar.
Em visitas às comunidades Nossa Senhora de Fátima II e Santa Maria, a equipe do deputado ouviu queixas de pais e condutores. Muitos relataram que só receberam dois meses de pagamento desde o início do ano letivo. “É impossível continuar sem gasolina. A gente quer trabalhar, mas não tem como”, contou Thaís Oliveira, mãe de aluno e barqueira.
A agricultora Zivanide Rodrigues, mãe de duas meninas, descreveu o dilema enfrentado: “Ou compramos comida ou garantimos a ida das crianças à escola. Só queremos o direito delas voltarem a estudar”.

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Além do transporte, o ensino sofre com escolas de madeira em condições críticas: pisos quebrados, banheiros sem manutenção, caixas d’água desabando e rede elétrica instável. Professores chegam a dar aulas ao ar livre por falta de segurança nas salas.
Há anos, moradores ouvem promessas de construção de novas unidades, mas nenhuma saiu do papel. “Estão atrofiando a capacidade dos meus filhos aprenderem. Isso é um absurdo”, protestou o agricultor Manoel Tiburcio.

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Amom afirmou que o caso de Careiro é apenas um retrato da realidade no interior. “Nosso mandato vai ampliar a fiscalização em todo o Amazonas, levar cada denúncia aos órgãos de controle e cobrar medidas concretas. O futuro das nossas crianças não pode depender de promessas vazias”, concluiu.
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