
Caminhada com 80 participantes do Projeto Mais Vida percorreu a Ponte Jornalista Phelippe Daou em ações de prevenção ao suicídio. Foto: Divulgação
O grupo do Projeto Mais Vida realizou nesta quinta-feira (25/09) uma caminhada sobre a Ponte Jornalista Phelippe Daou, conhecida como Ponte Rio Negro, que liga Manaus ao município de Iranduba, como parte das ações do Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio. Cerca de 80 participantes, alunos do Centro de Convivência da Família Padre Pedro Vignola, participaram da atividade e soltaram balões amarelos após o percurso para sensibilizar a população sobre cuidados com a saúde mental.
O grupo é formado por frequentadores das turmas do Projeto Mais Vida, que funciona no Centro de Convivência Padre Pedro, na Cidade Nova, zona Norte. Conforme a coordenação, os participantes têm idades variadas, entre 20 e 80 anos, e participam de atividades como funcional, pilates, musculação, hidroginástica e ritmos.
Segundo a coordenadora do Mais Vida no centro, Ádria Amaral, o projeto participa pela terceira vez da campanha na ponte. “O nosso objetivo é mostrar que a vida é valiosa e que nenhum problema é maior do que a própria vida. Muitas pessoas utilizam este local para desistir de viver. Mas se alguém precisar de ajuda, pode procurar o Centro de Convivência mais próximo, para um apoio psicossocial”, afirmou.
Além da caminhada e da soltura de balões, os participantes receberam uma palestra sobre prevenção ao suicídio, com objetivo de estimular o diálogo sobre emoções e o apoio a quem vive sofrimento psíquico. O educador físico Wanderlilson de Lima explicou que, além dos benefícios das atividades físicas, os centros promovem convivência entre gerações, reforçando a sensação de pertencimento e apoio.
“Além das atividades físicas, os centros de convivência propiciam aos frequentadores essa convivência entre pessoas com idades variadas, convivendo juntos em uma só causa, que no caso do Setembro Amarelo, remete ao valor da vida, o bem mais precioso”, disse Wanderlilson.
A aposentada Francisca Lemos Rodrigues, 81 anos, disse que participa do projeto há nove meses e que a experiência mudou sua rotina. “No projeto, além dos exercícios físicos, ganhei novas amizades, já participei de várias campanhas, tenho lazer. Tudo isso mudou minha vida para melhor”, afirmou.
A aposentada Sheila Azevedo, 67 anos, também relatou melhora após integrar as atividades do centro. Após a aposentadoria, a situação emocional dela piorou, e a participação em dança, pilates e funcional ajudou a recuperar o ânimo. “O projeto me deu novo ânimo; lá relaxo, ganhei amigos, além de fugir da rotina de casa”, disse, observando que muitas vezes as pessoas buscam se livrar do problema que as aflige, não da vida.
O Projeto Mais Vida foi criado em 2022 pelo Governo do Amazonas para reforçar as ações da Secretaria de Estado da Assistência Social e Combate à Fome (Seas) nos sete Centros de Convivência da Família e Idoso (Ceci) em áreas periféricas de Manaus. De acordo com a Secretaria, o programa complementa serviços de reabilitação e educação física, oferece sessões de fisioterapia, combate ao sedentarismo e atividades culturais, além de promover eventos externos como a caminhada na ponte.
Setembro Amarelo é uma campanha nacional voltada à prevenção do suicídio, criada em 2015 por organizações como o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), e busca incentivar o diálogo sobre saúde mental e ampliar o acesso a apoio e informação.
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