
ONU dedicará um dia ao combate a doenças não transmissíveis. (Foto: Banco Mundial/ONU)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta quinta-feira (18) que empresas de tabaco, álcool e alimentos ultraprocessados têm pressionado governos, dificultando a implementação de políticas de saúde que poderiam salvar milhões de vidas.
A ONU dedicará o próximo 25 de setembro ao combate de doenças não transmissíveis, como câncer e problemas cardíacos, durante seu encontro anual em Nova York. Segundo a OMS, produtos desses setores contribuem significativamente para essas doenças.
Em relatório separado, a organização apontou que investimentos de apenas US$ 3 por pessoa poderiam salvar mais de 12 milhões de vidas e gerar uma economia de US$ 1 trilhão até 2030. No entanto, os governos enfrentam forte lobby dos setores que tentam bloquear, enfraquecer ou atrasar medidas, incluindo impostos sobre produtos prejudiciais à saúde e restrições de marketing voltadas a crianças.
“É inaceitável que interesses comerciais lucrem com o aumento de mortes e doenças”, afirmou Etienne Krug, diretor do Departamento de Determinantes da Saúde, Promoção e Prevenção da OMS. O diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus reforçou que governos frequentemente enfrentam oposição feroz desses setores.
Representantes das indústrias de alimentos, tabaco e álcool rejeitaram a acusação. A International Food and Beverage Alliance disse que é “impreciso equiparar alimentos a tabaco e álcool”, e a Philip Morris International afirmou que a OMS deve acolher o diálogo em vez de temê-lo.
Na reunião da ONU, os governos devem discutir novas metas para doenças não transmissíveis e definir um roteiro de implementação, embora grupos de saúde alertem que o rascunho da declaração política já foi diluído devido à pressão das indústrias.