20/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Cinco séculos de patrimonialismo e cem anos de atraso

Publicado em 18 de junho, 2016

“Uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade”. Aconteceu! A herança maldita repetida à exaustão pelo PT e, falsamente atribuída a FHC, 13 anos depois, construída pela incompetência do lulopetismo, é verdade inarredável. De tão maldita derrubou o país e o governo petista.

Com a mudança do governo renasceram as esperanças de recuperação, levantadas pelo soro do cenário mundial, recheado de muito dinheiro em busca de oportunidades, onde houver credibilidade, é claro.

Fantasmas no horizonte, contudo, não faltam. Imposto novo é um deles. Primeiro porque o povo não aceita, e, depois, por aumentar a carga tributária com danos à competitividade do pais, já suficientemente degradada pelos baixos investimentos e a indecorosa qualidade da educação, com prejuízos irreparáveis ao futuro da Pátria amada.

Um futuro fartamente anunciado e nunca chegado. Algumas vezes, embalado por fugaz lucidez, ele se aproxima. Logo, porém, acossado por inconfessos interesses ou pelo ranço e a incompetência de ideologias falidas, bate em retirada.

No palco dessa gangorra um protagonista de peso se esconde nos camarins há 516 anos. Trata-se do Estado Patrimonialista vindo com a Coroa Portuguesa, cuja característica básica é confundir o público com o privado, sendo o público, quase sempre, inapelavelmente derrotado.

Os resultados ficam detrás dos panos, onde estão à mostra acintosas fortunas construídas com invejável rapidez, milagre que só acontece na aconchegante coxia do poder e sob o manto da impunidade, contra o que se levanta agora a Operação Lava Jato, com largo apoio da população.

É bom lembrar, contudo, que a competente equipe da Lava Jato é apenas uma parte da solução. Ela inibe, mas, não blinda a Nação contra as maléficas ações do poder, disseminadoras da cultura que incorpora o compadrio, o jeitinho e a corrupção que se espalhou Brasil afora, em cujos rastros patina um país inchado, ineficiente e que engole praticamente toda sua altíssima carga tributária com as despesas correntes.

A sociedade tem de criar mecanismos para desmontar esse nefasto Estado Patrimonialista, a começar pela privatização das estatais e demais órgãos que o abastece. Essas fontes são vendidas ao país como essenciais, quando não passam de objetos de desejo dos partidos, quase sempre sem republicanos objetivos.

As privatizações teriam efeito imediato na redução da incontrolável dívida pública, efeito colateral danoso ao equilíbrio fiscal e à carga tributária, além de outros.

O benefício maior seria, porém, a abertura dos espaços à profissionalização do Serviço Público, a partir de quando os cargos seriam preenchidos, exclusivamente, com pessoal de carreira, salvo os do primeiro escalão. Essa providência representaria o enterro do patrimonialismo, excrescência maior do regime presidencialista de coalizão, que tem na indicação política sua própria existência.

Fala-se dos muitos cargos comissionados na esfera Federal, o que é verdade. Só no Congresso Nacional alojam-se aos borbotões. Mesmo assim, diferente do que se pensa, as garras do Estado Patrimonialista são muito mais afiadas nos estados e municípios, onde trocar apoio eleitoral por cargos é rotina sistemática.

São 27 governadores; 5.570 Prefeitos e respectivos Vices; Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais em igual quantidade; milhares de Secretarias e Subsecretarias; Estatais; outros Órgãos da Administração Direta e Indireta; incontáveis deputados, vereadores etc. Senadores e Deputados Federais já têm cerca de 15 mil cargos de assessorias no Congressos e ainda influenciam em nomeações de cabos eleitorais nas suas bases, no próprio Governo Federal e até no Judiciário.

Qualquer exercício que se faça com esse cenário, chega-se a números inimagináveis de assessores e outros cargos. Parte substancial deles, até por despreparo, não oferecem contrapartida alguma. São cabos eleitorais. E sequer estou me referindo a extraordinária infraestrutura que exige esse contingente.

Assim funciona o Estado Patrimonialista, o que explica os porquês, em pleno século XXI, o país se encontra no mesmo patamar de riqueza dos Estados Unidos no início do século XX. São 100 anos de atraso.

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Autor
Francisco Cruz

* Francisco R. Cruz é empresário e trabalhou muitos anos na área de tecnologia e, entre 2001 e 20...

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