15/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Cartel de los Soles: entenda a acusação de liderança de Maduro no narcotráfico

Publicado em 22 de agosto, 2025

Maduro alerta que ataque contra ele pode significar "fim do império americano"

O nome faz referência às insígnias usadas por generais venezuelanos, que ostentam sóis em vez de estrelas. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O governo dos Estados Unidos acusa o presidente venezuelano Nicolás Maduro de chefiar o chamado Cartel de los Soles, suposta organização criminosa ligada ao narcotráfico internacional. Apesar das alegações americanas, há divergências quanto à existência e à estrutura do grupo.

Segundo a versão do governo americano, o Cartel de los Soles teria surgido em 1999, com a ascensão de Hugo Chávez, e atuaria como uma espécie de “estatização do tráfico de drogas”, envolvendo altos funcionários das Forças Armadas e instituições estatais para facilitar a exportação de cocaína para os Estados Unidos. O nome faz referência às insígnias usadas por generais venezuelanos, que ostentam sóis em vez de estrelas.

Em março de 2020, ainda durante o governo Trump, os EUA formalizaram acusações contra Maduro por narcoterrorismo, corrupção e tráfico de drogas, oferecendo inicialmente US$ 15 milhões por informações que levassem à sua prisão. Em agosto de 2025, a recompensa foi elevada para US$ 50 milhões. As denúncias apontam que Maduro teria usado o Cartel de los Soles para corromper autoridades e viabilizar a passagem de cocaína produzida por cartéis colombianos e mexicanos.

Especialistas internacionais, porém, ressaltam que não há evidências de um cartel monolítico controlado diretamente por Maduro. Gabriela Reyes, criminóloga boliviana, aponta que se trata de uma rede descentralizada de militares, policiais e outros agentes do Estado que oferecem proteção e logística ao tráfico. A Venezuela funcionaria mais como um corredor estratégico para o narcotráfico do que como produtora de cocaína.

O governo americano também aponta ligação entre o cartel e a guerrilha colombiana das Farc, que teria transferido operações para o território venezuelano. Investigações independentes confirmam a cooperação entre membros do alto escalão do Estado venezuelano e redes de tráfico, mas não estabelecem provas concretas da direção direta de Maduro sobre todas as operações.

Hugo Carvajal, ex-general da inteligência militar venezuelana, extraditado para os EUA em 2023, se declarou culpado por crimes de narcotráfico, e sua colaboração pode fornecer novas evidências sobre o envolvimento do governo venezuelano no Cartel de los Soles.

Em julho, os EUA designaram oficialmente o Cartel de los Soles como organização terrorista, alegando que o grupo apoia quadrilhas estrangeiras, como o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa. Maduro negou as acusações, classificando-as como campanha de difamação, enquanto autoridades americanas afirmam ter apreendido toneladas de cocaína e confiscado ativos ligados ao presidente venezuelano.

O caso mantém a tensão entre Venezuela e Estados Unidos e coloca o país sul-americano no centro das discussões internacionais sobre narcotráfico e segurança regional.

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