
Mesmo com avanços legais, magistrados destacam que preconceito persiste de forma sutil nas instituições e defendem formação continuada, empatia e presença efetiva da diversidade no Judiciário. (Foto: Banco de Imagens)
Apesar das conquistas legais em favor da diversidade nos últimos anos, pessoas LGBTQIAPN+ ainda enfrentam obstáculos silenciosos no ambiente profissional. No âmbito da Justiça do Trabalho, magistrados que integram o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) chamam atenção para a persistência de práticas discriminatórias camufladas sob comportamentos e estruturas institucionais. O alerta é feito às vésperas do 1º Ciclo pelo Orgulho e pela Diversidade no Poder Judiciário do Amazonas, que acontece nos dias 17 e 18 de julho.
A juíza do Trabalho Larissa de Souza Carril, integrante do Comitê de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação do TRT-11, reforça que, embora a Justiça do Trabalho tenha evoluído em acolhimento e reconhecimento dos direitos da comunidade LGBTQIAPN+, o preconceito nem sempre se apresenta de forma explícita. “Ele aparece nas omissões, na falta de sensibilidade. Mas percebo, sim, um desejo institucional de ouvir, transformar e incluir”, afirma.
O juiz do Trabalho Igo Zany Nunes Correa compartilha a percepção e destaca que ainda há resistência disfarçada em comentários jocosos ou julgamentos baseados em estereótipos. “As manifestações de preconceito muitas vezes surgem em tom de piada ou como insinuações sobre comportamento e aparência. Precisamos enfrentá-las com seriedade”, enfatiza.
Também integrante do Comitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade, o juiz André Fernando dos Anjos Cruz acrescenta que violências simbólicas podem ter efeitos profundos. “A discriminação se manifesta quase imperceptivelmente, mas tem impactos devastadores. Reconhecer isso é papel do Judiciário”, destaca.
Os magistrados defendem que a luta contra a LGBTfobia exige um esforço institucional contínuo, incluindo letramento, formação humana e representação real da comunidade LGBTQIAPN+ nos espaços de poder. “Não basta falar de diversidade, é preciso vivê-la como prática e política institucional”, afirma Larissa Carril.