20/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Decepções

Publicado em 26 de abril, 2016

O “capitão” Wallace, do Flamengo, foi o símbolo da entrada ridícula, desrespeitosa e nada inteligente de um clube que se diz um dos maiores do Brasil, que decepcionou não só o publico amazonense, mas que repercutiu na mídia nacional em tom de gozação e de tristeza. Crianças ficaram sem nada entender, quando viram um sonho ser arrastado num trotar enlouquecido rumo ao centro do campo.

Pra completar a falta de humildade e soberba, fincaram uma bandeira onde certamente jamais nascerá grama, o que virou gozação geral quando cacetados foram pelos 2 gols a zero aplicados pelo Vasco, seu principal rival. E o Vasco deitou e rolou em mensagens postadas nas redes sociais, além da lembrança de que o torcedor, o principal patrimônio dos clubes, jamais devem ser humilhados da forma como aconteceu em Manaus. Os pequenos jamais esquecerão a desfeita coletiva a que foram submetidos com transmissão ao vivo.

Isso não aconteceu só agora. O fanatismo dos torcedores, que às vezes se matam pelos times do Rio, leva ao esquecimento de que, com casa cheia, o mesmo Flamengo já chegou aqui com seus jogadores reservas. Duvido que o que aconteceu com as crianças de Manaus se repetisse no Rio, onde há muito não colocam 44 mil pessoas num estádio.

O que esperar de pessoas que pensam no Norte e Nordeste como quintais do Brasil? O que esperar de jogadores que sequer tem educação ou formação adequada? A própria chegada desse time no aeroporto tomado por seus torcedores já mostrava a falta se sensibilidade. Vi numa filmagem que passaram quase correndo, e só um deu com a mão. Bem feito! É hora de valorizar o nosso Estado. Já passou da hora de termos um futebol amazonense que nos alegre, que faça com que as crianças torçam por times da terra.

Na verdade, o Brasil continua apanhando de sete a um e não se corrige. Vivemos momentos de decepção também com a administração do país. O fato de alguém sair de uma eleição com mais de 54 milhões de votos não está acima de tudo. Dá tristeza ver milhões de jovens tentando entrar no mercado de trabalho justamente no momento em que milhares de trabalhadores estão sendo desempregados.

Empurraram, goela abaixo, uma Copa do Mundo e as Olimpíadas. Tanto gasto inútil, tantas promessas que não foram cumpridas. Tantas obras paralisadas e outras que não saíram do papel. Dinheiro público jogado no lixo, que poderiam ir para atividades essenciais.

Até e cheguei a pensar em dias melhores para o país, principalmente porque seriam momentos únicos para termos aqui pistas e estradas decentes, ruas bem asfaltadas, transportes modernos e humanizados, hospitais e postos de saúde decentes e atendendo bem ao público que ali buscam socorro.

A segurança pública, também outra decepção, só funcionou bem durante os eventos. Um sonho que se transforma em pesadelo para a população, e aí incluo o que aconteceu em Manaus, próximo à Arena, onde carros foram destruídos por pedras e balas, no último jogo. A que ponto chegamos!

Quando vemos, dentro do Palácio do Planalto, um líder do MST ameaçando invadir terras de quem for contra a presidente, aí vemos que o crime praticado por invasores tem respaldo lá de cima. Quando vemos a falta de produtos nas prateleiras de supermercados – a exemplo da Venezuela – com preços aumentando diariamente, a inflação corroendo os salários, com muita gente chegando de outros estados e o trabalho informal crescendo, algo muito errado está acontecendo.

 

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Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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