06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mãe de bebê morta será julgada por linchamento de estuprador no Amazonas

Publicado em 07 de julho, 2025

Mãe de bebê morta será julgada por linchamento de estuprador no Amazonas

Vitória Assis e outras 15 pessoas são acusadas pela morte de homem que confessou abusar e matar a criança em Jutaí (AM). (Foto: Reprodução)

Começa nesta segunda-feira (7) o julgamento de Vitória Assis Nogueira, mãe da bebê Laylla Vitória, de 1 ano e 7 meses, estuprada e morta em setembro de 2024, no município de Jutaí, a 751 km de Manaus. Ela e outras 15 pessoas respondem pela morte de Gregório Patrício da Silva, apontado como autor do crime brutal contra a criança. O suspeito foi retirado à força da delegacia da cidade por moradores revoltados, espancado e queimado vivo.

O caso causou forte comoção no Amazonas. Gregório, que trabalhava como vendedor de picolé, confessou à polícia que estuprou e matou Laylla, e jogou o corpo da bebê no rio. Horas após sua prisão, uma multidão se reuniu diante da delegacia, invadiu o local e o retirou da cela. Armados com pedaços de madeira, espancaram o homem, e, em seguida, um dos envolvidos ateou fogo em seu corpo com gasolina.

A mãe da vítima, Vitória Assis, está presa preventivamente há oito meses no Complexo Penitenciário Feminino de Manaus. Segundo a defesa, ela não participou da ação violenta que resultou na morte do estuprador e sequer incitou a população a invadir a delegacia.

“Esse processo é vergonhoso do ponto de vista moral. Um estranho estuprou e matou uma criança inocente. Até hoje a mãe da vítima está presa de forma preventiva, covarde e vil”, declarou o advogado Vilson Benayon. “Ela está sofrendo uma penalidade dupla. Além de perder a filha de forma cruel, ainda foi injustamente acusada de envolvimento na morte do autor do crime.”

Os 16 réus, incluindo a mãe da criança, respondem por homicídio qualificado. A audiência será decisiva para o desfecho judicial do caso que ainda mobiliza a opinião pública e levanta debates sobre justiça, linchamento e responsabilidade coletiva diante de crimes bárbaros.

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