O Brasil quebrou; quebraram o Brasil. O Brasil faliu; faliram o Brasil. Não importa o verbo, muito menos o tempo do mesmo, mas qualquer um desses títulos representa, perfeitamente, o estado caótico em que se encontra o Estado Brasileiro.
Encontrar culpados a esta altura não é difícil, como chegar ao fim da extensa lista de criminosos e seus respectivos asseclas, verdadeiros vírus que ainda infestam a política e, consequentemente, as demais veias que irrigam a economia, a educação, a sociedade, a saúde e, porque deixar de fora, a vergonha na cara de cada brasileiro.
Cunhada há mais de um século por um baiano que foi representar o Brasil numa conferência em Haia, na Holanda, o pensamento – “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto” – cabe perfeitamente para traduzir o que resta no coração, na alma, no espírito, na força que ainda resta a cada brasileiro.
Vergonha, vergonha elevada à enésima potência. Um país imenso, com grandes potenciais, com uma população tão pacata e trabalhadora. Onde foi que erramos? Nunca se poderia imaginar que um dia chegaríamos a este estado deplorável e vergonhoso. Já faz tempo que estamos na mídia internacional mostrando as nossas mazelas e incertezas, que preocupam e afastam os investidores, refletindo diretamente no desemprego, na falta de produção, na estagnação econômica.
Vamos fazer um esforço coletivo, unir as forças para traçar uma forma de pesquisar e tentar compreender o que aconteceu com o nosso Brasil, onde tudo isso começou, onde reside a raiz dessa agonia que dilacera os planos de ser, realmente, um grande país.
Não, não podemos nos privar, nesse momento ímpar, de nos submeter a uma auto e profunda análise de comportamento, de participação, de envolvimento, de ação enquanto cidadãos ativos e responsáveis pelo trágico diagnóstico que atualmente temos que enfrentar. Somos, todos nós, protagonistas dessa obra, e não podemos mais empurrar os problemas nacionais pra debaixo do tapete. Lá já não tem espaço suficiente, pois anos e anos a fio foi uma prática recorrente e aceita sem qualquer questionamento.
Há quem assegure que para resolver um grande problema a solução deve ser na mesma proporção. Há quem fale em dissolver o Congresso Nacional e todos os demais parlamentos nas distintas esferas. Seria algo com amplo alcance político-administrativo, mas nada a ver com o Ato Institucional número 5. Ditadura nunca mais.
O Brasil precisa de instituições fortes, onde os três poderes devam trabalhar com seriedade e respeito à Constituição Federal, sem que pese a menor dúvida sobre a seriedade dos membros do STF, Judiciário e Congresso Nacional, como ouvimos Lula esbravejar em recente grampo telefônico.
Vamos fazer nossa tarefa de casa, exercer (no mais amplo sentido) nossos direitos de ter, ver, ser, construir, usufruir e reconstruir o nosso Brasil. Vamos espantar, investigar, processar e prender os urubus e os ratos que se proliferaram ao longo do tempo. Vamos passar o Brasil a limpo, reconstruir um novo Estado Brasileiro pautado na vergonha, na honra, na justiça, na honestidade, na meritocracia e na virtude que, a partir de então, aflorará nos corações dos novos brasileiros, que poderão finalmente contemplar o maravilhoso voo da pomba da paz.
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* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.