28/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Alfredo é o terceiro do AM acusado na Lava Jato, após Braga e Omar. Ele comandou esquema de propina, delatou Delcídio

Publicado em 16 de março, 2016

O senador Alfredo Nascimento informou que a obra já foi licitada e deverá iniciar em julho.

O deputado federal Alfredo Nascimento é mais um político do Amazonas citado na Lava Jato. Foto: Divulgação

O ex-ministro de Transportes e presidente do PR, deputado federal Alfredo Nascimento, é o terceiro político amazonense citado na operação Lava Jato. Em delação premiada, cuja íntegra foi divulgada nesta terça-feira (15/03), Delcídio Amaral aponta Alfredo como um dos mentores de um esquema de arrecadação de propina enquanto ocupou o ministério. Na reportagem da revista Veja desta semana, o ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, cita o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), e o senador Omar Aziz (PSD) como políticos que teriam recebido propina da construtora na obra da Arena da Amazônia.

Segundo Delcídio, Alfredo Nascimento ” articulava vários investimentos espúrios com os governadores de Estado de vários partidos”, o que garantia a bancada do PR unida. O ex-líder do governo no Senado disse, ainda, que “havia um jogo combinado” entre o então ministro Alfredo Nascimento com o ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, e o então secretário estadual  Edson Giroto,  “a fim de promover uma descentralização de todos os investimentos federais no Estado, de forma a facilitar a arrecadação de propina”.

Delcídio afirma que “Edson Giroto foi quem ficou responsável pela operacionalização desta descentralização de investimentos, sendo que a propina arrecadada era repassada ao PR e ao PMDB, através de Alfredo Nascimento”. Ainda segundo o senador, a operação ilícita irrigou “de forma espúria as campanhas eleitorais do PR e do PMDB no Mato Grosso do Sul e do PR Nacional”.

Alfredo Nascimento foi Ministro dos Transportes de 2004 a 2006, no governo Lula, quando deixou a pasta para disputar o Senado; de 2007 a 2010, no segundo mandato de Lula, quando saiu do cargo para disputar o Governo do Estado, sendo derrotado; e em 2011, quando reassumiu a função no primeiro ano do governo Dilma, saindo em julho após denúncias de superfaturamento de obras.

Alfredo Nascimento chegou a ser investigado pela Polícia Federal na operação Lama Asfáltica, deflagrada em julho de 2015. Edson Giroto, ex-deputado e assessor especial do ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, pediu afastamento do cargo e teve a casa revistada pela PF. As investigações apontaram prejuízos estimados em R$ 11 milhões.

Resposta de Alfredo Nascimento

Em nota, Alfredo Nascimento classificou de “absurda e irresponsável” a citação de seu nome por Delcídio Amaral. Veja a íntegra da nota:

A citação de meu nome pelo senador Delcídio Amaral em sua delação divulgada nesta terça-feira (15) é absurda e irresponsável. Delcídio não apresenta qualquer prova ou mesmo indícios de minha participação em qualquer esquema ilícito. Estou absolutamente tranquilo porque nada de ilegal pratiquei. 

Alvo de outra falsa denúncia em 2011, fui investigado por dois anos pela Polícia Federal e Ministério Público e não encontraram absolutamente nada contra minha pessoa. Fui absolvido.

Agora, novamente, tentam me envolver em escândalo sem qualquer fundamento, na base do “ouvi dizer”, de insinuações, de calúnias.  Estou à disposição da Justiça para provar mais uma vez minha inocência.

Alfredo Nascimento

delacao Alfredo

 

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