A crise que está abalando o Brasil, seja econômica, política, ética, ou qualquer que seja a forma, está fazendo as pessoas ficarem agressivas e meterem os pés pelas mãos. Já não se acredita mais em nada e isso repercute em cima de pessoas que estão na ponta do atendimento ao público. E isso é ruim, porque alguém acaba “pagando o pato” no lugar dos verdadeiros culpados.
Sinto na pele o que é trabalhar numa campanha que movimenta milhares de pessoas, como a do CPF na nota, e temos muitos exemplos dessa agressividade. Hoje mesmo me foi passado uma mensagem agressiva de um cidadão que acionou a Sefaz através do [email protected], e pessoalmente fiz questão de responder e assinar me responsabilizando, dizendo que ele poderia ligar para os telefones citados, mas que deveria moderar seu palavreado até porque, apesar de ser servidor público, não tenho a obrigação de aguentar insultos.
Os operadores de caixa também sentem na pele essa revolta. Ora! É muito simples votar errado e agora ficar desabafando em quem não tem culpa nenhuma com a crise em pauta. Um amigo presenciou, no Supermercado Veneza, que a atendente apenas perguntou se um cidadão queria inserir o seu CPF na nota. Isso foi o bastante para dar um chilique no cara, que deu um verdadeiro discurso na fila, quase agredindo a funcionária do estabelecimento. Meu amigo – auditor da Sefaz – teve de intervir com firmeza alegando que ele participaria ou não da campanha (que é opcional), mas que deveria respeitar a moça.
Fato semelhante se espalha pela cidade. Os que querem participar ainda agem de forma tímida. Os do contra, dão discurso. Para lembrar aos desavisados, é com o imposto declarado na emissão das notas que o governo do Amazonas pode aplicar em serviços públicos, e a mesma pessoa que esnoba da campanha pode em determinado momento precisar de um atendimento de urgência e emergência no Hospital 28 de Agosto ou no João Lúcio, para salvar sua vida ou a de um familiar. E falo isso até para os ricos, pois ninguém está livre de uma fatalidade ou de um acidente.
Enfrentamos frequentemente postagens – muitas vezes são feitas por perfis falsos – que pregam o medo na população sobre a colocação do CPF na nota. Até comerciantes e vendedores chegam a praticar terrorismo com consumidores alertando: “Cuidado! O governo quer saber quanto você ganha”. Tremenda mentira. Queremos saber é quem vende sem nota, sonegando impostos.
Recentemente o empresário Phelippe Daou foi sorteado com 50 reais. Isso mesmo. E foi um Deus nos acuda nas redes sociais. Postaram um monte de asneiras que me deixaram entristecido com a “cultura” das pessoas que só vivem teclando, e não produzem. Todos deveriam se espelhar no exemplo de cidadania dado por ele. Somente um homem de sua estirpe é capaz de pensar nas pessoas que precisam dos serviços públicos, e que isso só se faz com um Amazonas forte, vencendo a crise.
Também é triste ver servidores públicos, que recebem os seus salários através do que se arrecada com a emissão das notas fiscais, fazendo corpo mole nesta campanha. E essa mensagem vai também para instituições governamentais que não mexem uma palha para ajudar, pensando que isso é coisa da Sefaz, que não lhes pertence. Puro engano! Se o governo naufragar, todos naufragam: servidores, gestores, fornecedores, alunos e professores de escolas e universidades públicas, ricos e pobres, pois todos estamos no mesmo barco. O fracasso não é bom pra ninguém.
*Coordenador da Campanha Nota Fiscal Amazonense.
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* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.