04/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Subida do nível dos oceanos surpreende pesquisadores da Nasa

Publicado em 15 de março, 2025

Subida do nível dos oceanos surpreende pesquisadores da Nasa

Nesta semana, um informe divulgado pela NASA [NASA Analysis Shows Unexpected Amount of Sea Level Rise in 2024] comenta que a elevação do nível do mar está ocorrendo em um ritmo maior do que o previsto.

Desde o início dos registros por satélite em 1993, a velocidade anual de elevação do nível do mar mais que duplicou. Entre 1993 e 2024, o nível global do oceano aumentou em 10 centímetros.

É importante considerar que esses 10 cm representam uma média. Portanto, esse aumento não ocorre de maneira homogênea em todo o planeta. Há áreas mais afetadas, onde esse aumento é mais intenso, e outras onde o nível subiu menos. 

Aumento

Esse aumento, em pouco mais de três décadas, é muito preocupante, especialmente diante da tendência de sua aceleração. Parte desse aumento é devido ao derretimento de geleiras continentais que apresentam forte regressão em diversas áreas. Outra parte da elevação é devida à expansão térmica das águas pelo aquecimento.

O ano de 2024 foi o mais quente já registrado desde que as medições começaram a ser realizadas de maneira sistemática. Houve, é certo, a influência do El Niño que representa um aquecimento das águas do Oceano Pacífico em sua porção equatorial. Mas esse evento durou até a metade do ano passado, sendo sucedido por uma fase de neutralidade.

La Niña

No final do ano, teve o início do fenômeno La Niña, antes prognosticado para o mês de agosto. Entretanto, o aquecimento dos oceanos foi um impedimento para que o La Niña, que representa um resfriamento das águas equatoriais do Pacífico, se manifestasse antes.

E o aquecimento das águas oceânicas vai reduzir a duração do La Niña, que poderá ser o mais curto desde que as medições de temperaturas oceânicas começaram a ser feitas em 1950.

Em 2024, foi ultrapassada, de maneira sistemática, o limite estabelecido pelo Acordo de Paris para que a elevação média da temperatura global não ultrapassasse 1,5 °C.

A próxima figura mostra a anomalia de temperatura entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, tendo como base o período de referência (temperaturas médias) entre 1991 e 2020.

A figura mostra que quase todo o planeta está apresentando temperaturas acima da média, especialmente no hemisfério norte. É por isso que se espera, para os próximos anos, que durante o verão nesse hemisfério ocorra um degelo total da calota polar.

Esse aquecimento também provoca a redução do gelo na Groenlândia e Canadá, além de áreas na Rússia, alimentando ainda mais o processo de elevação do nível do mar.

Elevação não linear

Essa elevação continuará ocorrendo em progressão não linear. É esperado que, em quinze anos, ela chegue a 16 cm. Os primeiros 5 cm de elevação demoraram cerca de 22 anos para ocorrer. Os 5 cm posteriores levaram cerca de 10 anos. Em resumo, a elevação está sendo acelerada. Em 15 anos, mais 6 cm serão acrescentados a essa conta.

No Brasil, com uma extensa área litorânea, há vários locais que sofrem com a elevação do nível do mar. Há processos de erosão da linha costeira com o avanço do mar e cidades com dificuldades de escoamento das águas das chuvas. Os dados mostram a urgência do problema.

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