05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

MTE resgatou 303 de situação de trabalho escravo no Carnaval de Salvador

Publicado em 13 de março, 2025

MTE resgatou 303 de situação de trabalho escravo no Carnaval de Salvador

Ação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho, resgatou 303 vendedores ambulantes em condições análogas à escravidão durante o Carnaval de Salvador de 2025, realizado entre 19 de fevereiro e 4 de março.

A equipe de auditores-fiscais do Trabalho constatou que os trabalhadores enfrentavam condições degradantes, jornadas exaustivas e a total falta de infraestrutura mínima para higiene e descanso, configurando, assim, trabalho análogo à escravidão.

Segundo informações da Inspeção do Trabalho, os trabalhadores contratados para vender bebidas da empresa Ambev recebiam kits de produtos para comercialização e relataram que eram obrigados a dormir nas ruas, junto às mercadorias, em barracas improvisadas ou até mesmo diretamente no chão, expostos ao frio, à chuva e à violência urbana.

Jornadas

Além disso, enfrentavam jornadas extenuantes, começando pela manhã com a organização dos produtos e se estendendo até a madrugada, sem intervalos adequados para descanso. Muitos não tinham acesso a instalações sanitárias adequadas, sendo forçados a pagar para usar banheiros em estabelecimentos comerciais ou recorrer a locais inadequados.

Diante da gravidade da situação, os auditores-fiscais do Trabalho realizaram autuações para garantir a formalização do vínculo empregatício e o pagamento dos direitos trabalhistas. A empresa Ambev, responsável pelo fornecimento dos kits de bebida, foi autuada como empregadora direta, pois controlava as atividades dos vendedores.

Tanto a empresa quanto a Prefeitura de Salvador foram notificadas e responsabilizadas pelas condições impostas aos ambulantes. A equipe de fiscalização destacou que a administração municipal também tem responsabilidade pelas condições de trabalho análogas à escravidão, uma vez que se omitiu em garantir condições dignas de trabalho, caracterizando uma responsabilidade por omissão.

Resgate

Os trabalhadores resgatados receberam as guias para acesso ao seguro-desemprego especial, além do pagamento das verbas rescisórias. O MTE também encaminhou o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT) para que sejam adotadas as medidas legais cabíveis. As autoridades competentes foram ainda acionadas para apurar possíveis responsabilidades criminais.

A fiscalização destacou que a maioria dos trabalhadores resgatados eram mulheres negras.

Denúncias podem ser realizadas de forma anônima por meio do Sistema Ipê

Dados sobre ações de combate ao Trabalho Análogo à Escravidão – Informações oficiais sobre as ações de combate ao trabalho análogo à escravidão no Brasil estão disponíveis no Painel de Informações e Estatísticas da Inspeção do Trabalho.

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