A grande maioria da população brasileira ainda não se acostumou com a onda social que se forma provocada por um notável fato, ou diante de uma tragédia da vida privada envolvendo olimpianos, astros que cintilam por grandes ou pequenas constelações midiáticas.
A comoção popular logo entra em erupção e ganha proporções gigantescas ao se deparar e se envolver com questões coletivas, que independem da fama, credo ou classe social. Ainda bem que é assim. Por um lado, a face positiva ao se avaliar o envolvimento social, isso denota a grande dose de solidariedade, que é parte integrante da cadeia cromossômica de cada brasileiro.
Quase que paralelamente, dois fatos tomam conta dos noticiosos, nos últimos dias e chamou a atenção de homens e mulheres. A tragédia provocada pelo rompimento das barragens na cidade de Mariana, no interior de Minas Gerais e a morte da dançarina Ana Carolina, ex-integrante da banda Aviões do Forró. Tanto um fato quanto o outro tem permeado a preocupação da população brasileira, por esses dois assuntos tão distantes, mas ao mesmo tempo tão próximos.
A tão combalida segurança da sociedade, assegurada em nossa Carta Magna, traz à baila dois casos onde o Estado falhou, falha e vai, pelo que se vê, continuar falhando por muito tempo. Recentemente, na capital romena um incêndio numa boate resultou em 35 mortos e três condenados pela célere justiça. Caso semelhante, no Brasil, a pífia resposta do Estado ainda se arrasta, depois que famílias sepultaram 242 mortos na tragédia da Boate Kiss, em 27 de janeiro de 2013.
Quantas outras barragens e incêndios vão ser necessários para romper essa letargia, esse processo moroso e, o que é ainda pior, vergonhoso marasmo judicial burocrático brasileiro? Quantas outras Marias, Anas Carolinas vão precisar morrer para que a sociedade brasileira, o mundo inteiro reconheça a igualdade entre as pessoas, entre as nações, independentemente da posição econômica e gênero?
Não cabem mais, em pleno século XXI essas insanidades machistas deploráveis que, não só ceifam o convívio harmonioso entre os seres de sexos diferentes, como também atentam contra as tentativas positivas de promover a mulher ao posto que sempre foi e sempre será dela, o poder de gerar vida, e a capacidade de ascensão em todos os aspectos. Um atentado contra a mulher, pequeno, leve que seja é atentar contra a própria vida, é menosprezar sua própria mãe.
Tanto nas questões da barragem, da boate e da insalubre estatística da violência contra as mulheres, a sociedade brasileira se comove, debate, questiona e se movimenta para que alguma coisa possa ser feita para dizimar, ao menos abrandar esse detestável ranking. Isso é importante, mas ainda é muito tímido diante da velocidade e do volume de fatos que vão de encontro ao peculiar e insofismável direito de viver em paz.
Desde que o mundo é mundo, as relações entre os seres habita o ápice de toda a vida terrena, para a qual foram adotados os códigos de conduta que, mais tarde, tornaram-se leis elaboradas e promulgadas por parlamentos que, hoje, investem contra as mesmas. É difícil de acreditar nisso, mas ignorar a lei dentro de uma casa legislativa beira à inépcia. Não se sabe, ao certo, o que é pior: a falta de zelo pela casa ou o respeito pelo próximo. Eis o xis da questão.
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* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.