21/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Parabéns Manaus

Publicado em 26 de outubro, 2015

A Manaus Paris dos Trópicos que era dos coronéis da borracha ainda intriga muita gente, especialmente para o secretário de cultura do estado, esse cidadão quando fala de cultura sempre remete a essa época. Deveriam ler a Tese Doutoral da Prof. Dra. Ednéia Mascarene, transformado em livro com o Título A Ilusão do Fausto, nessa obra a autora informa que a Manaus de taipa e palha dos caboclos e índios passou a ser a capital dos estrangeiros enriquecidos com o ouro branco, deixando de ser feitoria para esses exploradores das drogas de sertão e que passaram a ser exploradores dos pobres nordestinos, negros e matadores de índios nos arredores dos seringais, que faziam tráficos de mulheres de vários lugares do mundo em especial das loiras europeias do leste europeus abastecendo os luxuosos bordéis de Manaus.

Vale relatar que após as 18hs índios, negros, caboclos e pobres de todas as raças não podiam circular pelas ruas da Paris dos Trópicos eram expulsos para as vilas ou arredores nos limites da cidade a partir da Av. Boulevard Amazonas. Não se deve negar o lado positivo que essa época trouxe para o Brasil, que muito se fala como entre os demais a implantação da primeira faculdade brasileira a Manaós que se desdobrou hoje na UFAM. Creio que parabenizar a cidade de Manaus remete ao heroísmo dos índios, negros, nordestinos e caboclos, que apesar de na época não passarem de engraxates, carregadores e de realizar os serviços pesados para os coronéis que não faziam esses trabalhos, superaram e continuam marcando presença na história da cidade.

Parabenizar Manaus implica registrar a luta dos amazonenses e de todos aqueles que escolheram essa cidade para morar e sustentar seus filhos, uma população permeada pela diversidade cultural registrando certa presença de estrangeiros desta vez não só endinheirados, mas dos nossos vizinhos pobres que muito trabalham entre várias profissões até mesmo no teatro de rua nos sinais de trânsito. Esse povo sofredor que sempre recebeu os projetos capitalistas de cima para abaixo, mas que se sai sempre bem inovando e reagindo. Tanto é que quando a população rica da Paris dos Trópicos deixou a cidade, isso muito bem relata o poeta de Barreirinha Thiago de Melo, o povo teve que encontrar outra saída, pois o capital sempre vem para retirar e deixa sempre sua marca de exploração e a boa reação dos explorados.

Pergunta-se o que sobrou do manganês para os pobres da Serra do Navio? O mesmo pode se perguntar do ouro da serra pelada, que nem mesmo o garimpeiro Zé Arara que na época áurea do ouro chegou a ter 100 aviões, e que até bem pouco tempo, não passava de ser dono de uma simples casa na região e como membro da associação dos garimpeiros não pode mais tirar ouro porque quem faz isso é uma mineradora? Da exploração com latifúndio no Acre, Rondônia, Roraima, Pará, nas regiões de Lábrea, Humaitá, Sul do Amazonas, município de Iranduba, que tem matado trabalhador (a) rural, índios, negros e até religiosos, surge a resistência organizada de permanência na área, pois o capitalismo quando termina ou muda sua forma de exploração a população fica. Veja entre outros, no Acre temos hoje os Seringueiros organizados com sua fábrica de beneficiamento do Látex herança da Luta de Chico Mendes.

Na verdade implica dizer que o projeto dos militares, despertando ainda saudosismo (até me surpreendeu uma fala do vereador Mario Frota numa sessão na câmara dos vereadores este ano de 2015), tinha como objetivo limpar as áreas para a implantação do grande capital, que eram habitadas por índios e demais populações que não integravam esse projeto. Só de lembrar os 6.000 índios Waimiri Atroary da época da abertura da BR 174, grande parte assassinados pela ditadora militar, foi uma das etnias que pagaram caro, mas reagiram e aí estão eles.

Festejar Manaus leva a sermos solidários aos habitantes pobres da cidade que moram nas periferias com ruas tendo esgoto a céu aberto, com crianças estudando em galpões alugados pela prefeitura e pelo estado sob um calor de 40 graus, pois os ar-condicionados nem sempre funcionam, com uma juventude marginal sem o ensino fundamental que conjuntamente com o tráfico de drogas e demais tipos de roubo, matam a sangue frio e estão abastecendo os presídios, tanto é que todas as semanas a média de morte de segunda a domingo está entre 08 a 15 pessoas, isso sem falar no grupo de extermínio, que só no mês de julho matou mais de 30 pessoas num final de semana e até agora a Segurança Pública não deu explicações convincentes.

Senhores muitas pessoas hoje (23.10.2015) e amanhã na nossa Manaus estão fazendo o exame do Enem, que virou um estardalhaço em notícias, investimentos públicos, falcatruas e projeto de acesso ao ensino gratuito que no fundo nós pagamos com os nossos impostos. Bastava selecionar os alunos das escolas públicas com média geral entre 85 e 100 para matricularem-se nas universidades e terem esses benefícios como fazem diversos países no mundo. Mas ainda é o resquício do sistema de colonização e de prêmio e castigo que a sociedade usa para controlar as pessoas e não querer investir melhor na educação.

Meu amigo (a) parabenizar Manaus no seu aniversário nos leva a fazer essas reflexões, pois sonhamos com um mundo mais humano, cidadão e decente, é o que todos que moram nesta cidade querem. Creio que estamos mudando e Manaus será bem melhor com o futuro que desponta. Contamos como nossos aliados o Ministério Publico Feral e Estadual, com a Imprensa Séria e com você através de seu trabalho como bom profissional que vem desempenhando, faça de seu celular, computar, facebook, rádio, TV, whatsapp um canal de cidadania denuncie as violações à natureza e aos humanos. Na minha vida no trabalho que exerço estou fazendo a minha parte. Vamos atacar as causas dos problemas e não só as consequências. Faça, também a sua.

 

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Autor
Prof. Dr. Pe. Manuel do Carmo da Silva Campos

Manuel do Carmo da Silva Campos, 57 anos, é natural de Parintins (AM), teólogo e filósofo, doutor...

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