
Desde que assumiu a presidência, Trump tem se dedicado a implementar políticas restritivas voltadas para a imigração. (Foto: Divulgação/Casas Branca)
O governo de Donald Trump iniciou na quinta-feira (23) uma das maiores operações de deportação em massa da história recente dos Estados Unidos, detendo 538 imigrantes ilegais em uma ação que resultou na deportação de centenas de pessoas, muitas delas embarcadas em aviões militares. A ação foi amplamente divulgada pela Casa Branca, que, através da porta-voz Karoline Leavitt, destacou que a operação é um cumprimento das promessas feitas durante a campanha presidencial, com o presidente reiterando que a imigração ilegal é uma “emergência nacional”.
Desde que assumiu a presidência, Trump tem se dedicado a implementar políticas restritivas voltadas para a imigração, incluindo uma série de ordens executivas que visam impedir a entrada de imigrantes no país. Em um de seus primeiros atos como presidente, ele assinou medidas rigorosas contra a imigração ilegal, mas as recentes operações de deportação em massa acentuam ainda mais sua postura radical sobre o tema.
No entanto, a noite de quinta-feira também foi marcada por controvérsias, com relatos de confusão gerados pela ação de agentes de imigração em Newark, Nova Jersey, onde o presidente da Câmara, Ras J. Baraka, afirmou que os agentes realizaram detenções em um estabelecimento sem a apresentação de mandados legais. A situação gerou protestos de líderes locais e grupos de defesa dos direitos civis, que acusam a administração Trump de abusos de poder e violações dos direitos dos imigrantes.
Em meio ao movimento de deportação, a Casa Branca comemorou a aprovação de uma nova lei no Senado, que obriga a detenção de imigrantes ilegais suspeitos de crimes específicos, o que aumenta ainda mais o alcance da fiscalização e da repressão contra a imigração irregular.
Medida de Trump contra cidadania bloqueada pela Justiça
Na mesma quinta-feira, uma vitória parcial para os defensores dos direitos dos imigrantes ocorreu nos tribunais, quando um juiz federal bloqueou temporariamente a ordem executiva de Trump que visava negar a cidadania americana aos filhos de imigrantes ilegais nascidos em solo dos Estados Unidos. A medida, considerada inconstitucional por muitos juristas, desafiava a 14ª Emenda da Constituição, que garante a cidadania automática a qualquer pessoa nascida no território americano, uma medida aprovada após a Guerra Civil para garantir os direitos dos ex-escravizados.
O juiz distrital John Coughenour, responsável pela decisão, classificou a ordem de “flagrantemente inconstitucional” e deferiu uma pausa de 14 dias para que ambas as partes apresentem mais argumentos. Enquanto isso, o Departamento de Justiça liderado por Brett Shumate se prepara para defender a política de Trump, afirmando que há um clamor popular para que as leis de imigração sejam aplicadas com maior rigor.
Por outro lado, o procurador-geral de Washington, Nick Brown, se posicionou contra a ordem, afirmando que a cidadania por nascimento é um direito que está em vigor há mais de um século e é fundamental para o funcionamento da sociedade americana.
A decisão judicial, embora represente um alívio temporário para muitos, não encerra a disputa. Em fevereiro, o juiz decidirá se a ordem de Trump será bloqueada de forma permanente, enquanto o debate sobre imigração e cidadania continua a polarizar os Estados Unidos.
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