27/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Ministro Eduardo Braga chama Melo, Omar e toda bancada para resolver problema da Suframa. Ouça íntegra de entrevista

Publicado em 13 de junho, 2015

Eduardo Braga foi provocado no programa, ao longo da semana, para usar o cargo de ministro e ajudar a resolver o problema da Suframa. Foto: Chico Batata/ Divulgação

Eduardo Braga foi provocado no programa, ao longo da semana, para usar o cargo de ministro e ajudar a resolver o problema da Suframa. Foto: Chico Batata/ Divulgação

O senador e ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB)-AM), pregou hoje (13/06) a conciliação entre os políticos para buscar solução para a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Ele criticou duramente o superintendente interino do órgão, Gustavo Adolfo Igrejas Filgueiras. “Ele só é superintendente porque eu o coloquei lá. Acho incrível que um técnico deixe de resolver os problemas para fazer intrigas que não levam a nada”, disparou. A entrevista de Braga foi concedida a Ronaldo Tiradentes, no programa Manhã de Notícias (FM 91,5, Tiradentes), em horário e dia excepcionais, este sábado, entre 10h e 11h.

Veja aqui as perguntas e respostas, referentes à Suframa. Logo abaixo, ouça a íntegra da entrevista:

Ronaldo Tiradentes – O Amazonas tem hoje entre 3 mil a 3,5 mil carretas paralisadas por conta da greve na Suframa. Fizemos neste programa um apelo, esta semana, para que o senhor ajude na solução, como ministro. O IBGE divulgou uma queda na produção industrial de Manaus, que era de 17,8%, agora de 19%, em relação ao ano passado. Como o senhor pode ajudar?

Eduardo Braga – A questão da Suframa foi construída de forma equivocada. Era superintendente um rapaz chamado Thomaz Nogueira, indicado pelo então governador Omar Aziz e apoiado por mim. Tinha a responsabilidade de construir um entendimento para resolver o problema dos funcionários da Suframa. Pelo contrário, ele estabeleceu a disputa política dentro do órgão. Depois que o Thomaz Nogueira pediu demissão na rádio (Tiradentes), prejudicando os trabalhadores da Suframa, fizemos uma mesa de negociação com a ministra (do Planejamento) Miriam Belchior e o ministro do (Desenvolvimento), Indústria e Comércio (Exterior), Mauro (Borges Lemos). Sugerimos que o Gustavo Igrejas, um técnico de carreira no órgão, assumisse a superintendência interinamente. Agora vemos essa disputa pelo cargo.

 

RT – Em que o senhor pode ajudar?

Braga – Estou à disposição dos funcionários para ajudar. Não é minha área ministerial e sim dos ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Armando Monteiro (MDIC), mas acho que é hora de pegar Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), a bancada federal, direção da Suframa e sindicatos para, juntos e despidos de disputas, tratar da questão salarial do trabalhador da Suframa. A questão é justa. Já manifestei isso várias vezes. Os trabalhadores sabem o quanto tenho apoiado, mas nossa luta tem sido prejudicada por ingredientes políticos. Fiquei calado, nunca falei sobre esse tema. Não havendo divisão, confusão, disputas de interesses pessoais e sim para apoiar e fortalecer os funcionários da Suframa, junto ao Governo Federal, as nossas chances de vitórias são muito maiores.

 

RT – Para o senhor ter uma ideia, enquanto um médico da Suframa ganha R$ 5 mil, outro médico, do mesmo ministério, ganha R$ 15 mil a R$ 18 mil…

Braga – Esse desequilíbrio veio do fato de que o superintendente da Suframa, no lugar de defender os interesses dos trabalhadores, tratou de discutir outras coisas, outras disputas. A última vez que houve alinhamento salarial na Suframa foi quando a Flávia Grosso era superintendente e eu governador do Estado. Trabalhamos junto ao presidente Lula para haver realinhamento de salários. Quando ela saiu da Suframa estava exatamente na renegociação da segunda etapa da correção, em 2009/ 2010. Desde lá, estamos em 2015, nada mais foi feito em defesa do trabalhador da Suframa. Eu não consigo resolver sozinho. Não sou Deus. Não sou Super-homem. Se todos nos unirmos e nos despirmos de disputas menores, a gente resolve.

 

RT – O senhor não foi procurado?

Braga – O Gustavo me procurava, pedia meu apoio. Agora comigo ele não fala mais, não me procura. Trabalhadores me procuraram, através das senadoras Sandra e Vanessa. Tentei ajudar. Falei com o ministro Nelson Barbosa, mas nunca fui procurado pela direção da Suframa. Como fui citado nominalmente, estou à disposição. Vou a todas as reuniões de bancada, de coordenação, o que for necessário.

 

RT – A ex-deputada Rebecca Garcia é sua candidata a superintendente?

Braga – Ela nunca tratou questões de Suframa comigo. Nunca sentou para dizer que está disputando o cargo. Acho que é legítimo ela disputar, se o partido dela a indicar. Nunca falei sobre esse tema a nenhum jornalista. Continuo trabalhando pelo Amazonas publicamente. O Gustavo só é superintendente porque eu, à época líder do Governo, o indiquei. Foi indicação nossa para o cargo. Ele sabe disso e todas as superintendências adjuntas também. Não entendo como alguém que é da casa estabelece essa disputa política no órgão.

 

RT – Pelo que ouvi, extraoficialmente, a convergência é para o nome da Rebecca. Resolvendo essa questão da nomeação do superintendente, resolve o resto?

Braga – Uma coisa não tem a ver com a outra. Tem só um efeito colateral. No lugar de a gente estar trabalhando numa única direção, resolver o problema dos trabalhadores da Suframa, as pessoas estão estabelecendo brigas à toa. Não leva a lugar nenhum. Como alguém que é funcionário de carreira, chega a superintendente como chegou, pode estar dedicado a criar intrigas e disputas que não existem? No momento de crise, quando estamos fazendo ajustes importantes no País, a atividade industrial no polo teve um desaquecimento muito grande. A Nokia, que agora pertence à Microsoft, está sendo penalizada por acordo feito com governador (de São Paulo, Geraldo) Alckmin, trazendo prejuízos para o Polo Industrial de Manaus e nosso esforço vai para disputa boba. Eu não vou ficar nesse jogo. Não falava sobre esse tema há seis meses, porque achava um equívoco fazer disputa por isso. Pergunte qual comportamento que a (senadora) Sandra (Braga) tem adotado? Construtivo. Porque ela sabe a gravidade que estamos vivendo no Brasil e no Amazonas. Mas não vemos nenhuma atitude construtiva da parte da Suframa.

 

RT – O senhor então toparia ajudar a resolver os impasses?

Braga – Estou à disposição dos empresários, trabalhadores e do governador. Não tenho dificuldade em marcar entrevista com o ministro Nelson Barbosa. Vamos trabalhar unidos, não por um cargo, mas para encontrar como resolver o problema da economia do nosso Estado. Não estou no Senado. Meu papel é de ministro de Estado. Meu desafio não é pequeno. Herdamos uma situação no interior e na capital difícil. Manaus está fazendo uma reengenharia da questão do abastecimento para a gente vencer os problemas.

Ontem (12/06) o broadcast (publicação do grupo O Estado de S. Paulo dirigido a empresários e políticos, vendido à parte) do Estadão disse que eu não quero implantar as bandeiras tarifárias no Amazonas. É a distribuidora, Amazonas Energia, quem está questionando: foi concluída a interligação do Linhão de Tucuruí? A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) diz que sim, a Amazonas Energia diz que não. A Aneel quer cobrar do povo do Amazonas algo que ela não tem direito, se não resolver os problemas técnicos da interligação. Aí vem o Estadão, de São Paulo, dizendo que, como ministro de Estado, defendo os interesses do Amazonas contra os interesses dos demais.

 

RT – Explique melhor como funciona esse negócio da Bandeira Tarifária?

Braga – Há no Brasil três regimes de bandeiras. A verde, quando estamos no regime hídrico, hidrelétricas cheias de água, tudo funcionando, energia barata. Amarela, é quando você começa a diminuir a quantidade de água e cai a produção de água. É o aviso de tensão. O reajuste é da ordem de R$ 3. Cada 100kw reajusta mais R$ 3. A bandeira vermelha é quando há falta d’água tamanha que precisa recorrer às térmicas e cada 100kw consumido passa a custar R$ 5. Mas você precisa estar interligado ao sistema nacional de energia. O problema do Amazonas é igual ao de Macapá. Ambos estão em processo de interligação. Como ministro não dei uma palavra sobre isso e nem devo. É questão entre Aneel e a distribuidora, Amazonas Energia. É a distribuidora que está defendendo os interesses dos seus consumidores. Tem a responsabilidade de resolver questões técnicas ainda não resolvidas na interligação e precisa de algum tempo para resolver. Quando tudo estiver decidido pela Aneel e a Amazonas Energia terminar as discussões técnicas, a bandeira virá, como foi para todo o País. Não é justo é cobrar enquanto o sistema não está resolvido.

É difícil representar o Estado no meio de tubarões. Estamos renovando a concessão, por 30 anos, de 42 distribuidoras de energia elétrica neste País. A Aneel disse que ia transferir para a tarifa do consumidor os investimentos que essas concessionárias precisam fazer para atender às exigências de modernização. E eu disse que não. Parte desse investimento tem que ser aumento de capital do acionista da distribuidora. No dia que disse isso, surge essa matéria absolutamente inverídica no Estadão. Quem trata de tarifa é a Amazonas Energia com a Aneel. Mas eu estou aplaudindo a posição dela.

Ouça, abaixo, a íntegra da entrevista de Eduardo Braga à Rede Tiradentes:

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