Definitivamente está provado: a selva é para os fortes. A Copa nos mostrou não só para o mundo, mas para as unidades federativas que formam o Brasil, e principalmente para aqueles que não acreditavam em nosso potencial. Mais ainda, aos que, mesmo morando no Sul ou Sudeste, ainda teimam em confundir Norte com Nordeste, fica a dica sobre o quanto é importante se respeitar as diversidades físicas e humanas que formam este grande continente chamado Brasil.
Lembro de um ex-jogador de nome Edmundo que, num jogo de futebol, chamou alguém de “paraíba”, de forma pejorativa, como, aliás, é muito comum lermos em comentários maldosos na Internet, tudo típico de falta de educação. Até a imprensa internacional crivou o Brasil com reportagens nada elogiosas, sobrando para o Amazonas a ideia de ser um lugar onde o futebol seria impraticável. E acabamos sendo uma sede encantadora e mágica, onde tudo ocorreu de forma organizada, recebendo elogios dentro e fora do País.
E todos os que mais criticaram estão voltando para os seus países, eliminados. Não adiantou treinar em saunas, com cinco agasalhos, ou vir para passar apenas dois dias e sair às pressas, porque naufragaram até nas sedes com climas mais amenos. Aos tristes seguidores dessas seleções restou o consolo de terem o prazer de pisar em solo amazonense, em Manaus, na maior floresta do mundo, um verdadeiro tesouro guardado por nós para a humanidade, e sentir o verdadeiro calor, que é o humano.
E a Copa serviu também para avivar um movimento muitas vezes esquecido por aqui, que o orgulho de ser amazonense, hoje cada vez mais presente nas redes sociais.
Na verdade, isso existe muito em determinados Estados brasileiros onde o amor pela sua terra soa de forma bem forte, sem a necessidade de ser motivado pela Copa. E é assim que devemos agir, com orgulho, com amor, com a certeza de que ninguém é superior a nós.
É comum avistarmos adesivos em automóveis com os dizeres “Orgulho de ser nordestino”, e estas pessoas estão cobertas de razão. Na Arena Amazônia, durante um dos jogos, presenciei um torcedor com a camisa e a bandeira do Paysandu, de Belém do Pará, correndo para melhor se posicionar a fim de ser filmado e mostrar para o mundo a sua grande paixão. E isso é fascinante.
Aqui mesmo no Amazonas, em Parintins, aprendi desde criança o que significa ter orgulho de sua terra. E os parintinenses sabem muito bem como fazer isso. Exportam criatividade, esbanjam amor próprio.
Parintins vai muito mais que uma ilha amazônica. Além do famoso festival folclórico, tem um calendário de eventos que ocupa o ano inteiro e deve receber sempre a merecida atenção, pois também representa as manifestações acaloradas de fé, de participação, de prazer revelado em cada gesto, em cada esforço para que tudo aconteça da melhor forma possível. Parintins dos Bois Bumbás, das Pastorinhas, da Exposição Agropecuária, da tradicional Festa do Réveillon, da Paixão de Cristo, do Carnailha, de Nossa Senhora do Carmo e de tantos outros momentos, de movimentos populares que ajudam a consolidar para o Brasil e para o mundo a imagem do berço cultural das alegorias gigantes, das alegrias constantes de um povo criativo e trabalhador.
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* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.