Fez um sol de lascar. O céu estava muito azul, daquele azul que só ocorre a 1 grau centígrado ou a 40 graus. Fazia tempo que isso não acontecia em Manaus, mas, diante da insistência do técnico inglês, Mr. Roy Hodgson, a natureza amazônica reagiu duramente. Tanto que, mal o English Team colocou o pé no gramado, a Arena da Amazônia veio abaixo em vaias. Por quê? Dias antes do sorteio dos jogos da Copa do Mundo, Mr. Roy, o técnico inglês, caiu na besteira de dizer: “Manaus é a cidade a ser evitada”.
Os ingleses foram bem recebidos. Fizeram muita festa pela cidade. Deram enorme trabalho à segurança no estádio, interromperam a “ola” na pequena faixa de arquibancada que ocuparam, mas, no mais, tudo normal entre torcedores apaixonados. Nada que brasileiros não fariam numa Copa, por exemplo, na Inglaterra.
A vaia foi uma espécie de libertação do amazonense. Poderia ate ser uma politizada reação pelos bilhões e bilhões (de libras) drenados da selva, no Período Áureo da Borracha, por Sua Majestade. Ou, talvez, pelo súbito abandono provocado pela pirataria das mudas que transferiram o látex para a Malásia. Manaus, que por muito pouco não chegou a ser Liverpool, voltou a um Porto de Lenha. Nem iluminação pública tinha mais. Os soldados da borracha lotaram as ruas, mendigando, num cenário de “A volta dos mortos vivos”.
Isso, porém, nossa história já esqueceu. Ou é “paisagem desbotada na memória das nossas novas gerações”, como diria Chico Buarque.
E a vaia não foi por nada disso. O povo amazonense é extremamente grato aos ingleses pelos prédios do Teatro Amazonas, Alfândega, Palácio da Justiça, as únicas galerias de esgoto existentes na cidade etc., resultado justo do Período Áureo da Borracha. Tem ainda o Roadway, como único porto público (?) existente na cidade – a nos envergonhar com sua tecnologia de quase 200 anos, desafiando impávido enchentes e vazantes.
A vaia foi uma legítima reação do povo a quem poderia ser mais hábil. A plateia entendeu que se a capital amazonense não serve para a seleção da Inglaterra jogar, não serve também para nenhum turista europeu. É um inferno, como disseram os jornais ingleses esta semana. E não é nada disso. Temos dias agradáveis por aqui, cheios de brisa, e dias calorentos, como hoje, que ocorrem em todo o mundo, inclusive na Europa.
Mas o jogo foi muito bom. Pirlo e Balotelli, pela Itália, fizeram um show à parte. O meia, maestro do time, soube conduzir os companheiros com seu toque de bola refinado, puxando contra-ataques com precisão.
A Inglaterra, que dominou o jogo até levar o primeiro gol, reagiu muito bem e empatou minutos depois. O placar justo da partida seria um empate. Mas aí tinha aquela história do boquirroto Mr.Roy Hodgson e a gente torceu mesmo foi pela Itália.
Foi um dia épico. Até Galvão Bueno falou bem da Arena da Amazônia. Valeuuuuuu.
Veja abaixo, as fotos e o vídeo da Arena da Amazônia, no jogo Itália 2 a 1 Inglaterra:

Inglaterra toda no ataque e a Itália se defendendo, com a sorte e o toque de bola orquestrado por Pirlo. Foto: Marcos Santos

O goleiro Salvatore Sirigu, que substitui o titular Bufon, na última hora, fez grandes defesas. Foto: Marcos Santos

Inglaterra toda no ataque e a Itália se defendendo, com a sorte e o toque de bola orquestrado por Pirlo. Foto: Marcos Santos
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