22/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

‘Rituais’, de Sebastião Alves, é atração no Centro de Artes da Ufam

Publicado em 05 de outubro, 2023

'Rituais', de Sebastião Alves, é atração no Centro de Artes da Ufam

Foto: Instagram do artista

Com base no perspectivismo amazônico, a exposição “Rituais”, do artista visual Sebastião Alves, objetiva refletir as práticas ritualísticas da cultura ameríndia que visa destacar o perspectivismo interpretado como fator de interação entre homem e natureza. A mostra, que abre ao público no dia 11 de outubro, a partir das 18h30, estará em cartaz entre os dias 16 de outubro a 1⁰ de dezembro, no Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas (Caua), localizado na rua Monsenhor Coutinho, 724, Centro.

De acordo com a diretora do Caua e curadora da exposição, professora Priscila Pinto, a série de pinturas da exposição Rituais impacta o ambiente com o uso explícito da cor em combinações contrastantes e muito bem combinadas, que criam dinamismo e movimento às composições, direcionando o olhar do apreciador.

Impermanência

Para o artista, que desenvolveu a temática durante o período da pandemia (2021-2022), sua produção artística proporcionou-lhe emergir a um ambiente de possibilidades pelo qual a mente e o corpo tornaram-se elementos desencadeadores da percepção e cognição das coisas. De acordo com ele, o pensamento ameríndio estabelece nesse processo contínuo de impermanência uma busca por um estado libertador. Parafraseando Bauman, disse Alves, a sociedade contemporânea defende a ideia que o desenvolvimento da humanidade se dá através da ciência com a criação de novas tecnologias, porém, o avanço disso, reproduz relações frágeis que tornam o homem escravo de si mesmo, criando um espaço sem luz aparente.

“O paradoxal em nossa modernidade perdurará até termos uma consciência mais humana e com respeito à natureza”, completou o artista que acredita que a exposição apresenta elementos que proporcionam essa leitura.

Entropia

“Numa entropia de cores, as telas produzidas des-ritmizam procedimentos e implementam ações não experimentadas que, de certa forma, estabelecem um fazer artístico desprendido dos instrumentos comuns para pintura, no caso, o pincel e a espátula, substituídos por elementos inusitados acrescidos a um direcionamento no devir da manifestação artística. Dessa maneira, a condução das cores poderiam uniformizar texturas, no entanto, isso fez com que se redirecionassem para outro patamar de ideias”, disse o artista que afirmou que “a cada pincelada realizada exigiu-se intensificar um olhar aprendido na dinâmica das cores que distribuídas nos espaços vazios da tela, completavam de forma inusitada.

Sobre o artista

Graduado em Comunicação Social – Jornalismo, pela Ufam, o artista não se distancia dos processos criativos, o qual possui uma vasta experiência em exposições individuais e coletivas. Atualmente, é doutorando pelo Doutorado Interinstitucional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Dinter/UFRGS). Em 2020, foi agraciado com o prêmio Feliciano Lana, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, com os vídeos-instalação “Lembranças de minha cidade” e vídeo-performance “Macunaima, arquétipos da experiência do inusitado”.

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