05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Parcelamento sem juros no cartão de crédito não vai acabar, diz Febraban

Publicado em 14 de agosto, 2023

Parcelamento sem juros no cartão de crédito não vai acabar, diz Febraban

A Federação Brasileiras dos Bancos (Febraban) afirmou nesta segunda-feira (14) que não há nenhuma chance de acabar com as compras parceladas sem juros no cartão de crédito.

Na quinta-feira passada (10), o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse em audiência no Senado Federal que o grande problema do endividamento do brasileiro é o juro alto do rotativo do cartão de crédito, sugerindo que este cenário seria resultado do parcelado sem juros.

A taxa de juros do crédito rotativo ficou em 437,3% ao ano em junho.

Segundo ele, a modalidade, mesmo ajudando o comércio, induz o consumidor a gastar mais. Portanto, uma saída seria acabar com este tipo de parcelamento.

“Criar algum tipo de tarifa para desincentivar esse parcelamento tão longo não é proibir, mas fazer com que [os consumidores] fiquem mais disciplinados para não afetar o consumo.”

Pagamento

Entretanto, a Febraban informou que não há intenção de acabar com este tipo de pagamento. Em nota, a entidade disse que participa de grupos multidisciplinares que analisam as causas dos juros praticados e alternativas para um redesenho do rotativo.

“Nenhum dos modelos em discussão pressupõe uma ruptura do produto e de como ele se financia.”

A federação defendeu que o cartão de crédito deve ser mantido como “relevante instrumento para o consumo, preservando a saúde financeira das famílias.”

Pesquisas apontam a necessidade de medidas de reequilíbrio do custo e do risco de crédito.

“Para tanto, é necessário debater a grande distorção que só no Brasil existe, em que 75% das carteiras dos emissores e 50% das compras são feitas com parcelado sem juros.”

Ainda conforme a nota, os estudos da Febraban mostram que o prazo de financiamento impacta diretamente no custo de capital e no risco de crédito.

A inadimplência das compras parceladas, em longo prazo, é maior do que na modalidade à vista — cerca de duas vezes na média da carteira e três vezes para o público de baixa renda.

Fim do rotativo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também defendeu um olhar mais criterioso para o fim dos juros rotativos do cartão de crédito.

Em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo — gravada na sexta-feira (11) e divulgada nesta segunda-feira (14) — Haddad afirmou que, apesar das taxas serem abusivas, chegando a mais de 400% ao ano, é preciso observar a forma de consumo das famílias brasileiras e como afeta o varejo.

“Tem que proteger o consumidor, mas não comprometer o sistema de vendas, que é o padrão de compras brasileiro. Até alimento é comprado assim”, afirmou.

Haddad foi questionado sobre a proposta de Campos Neto em extinguir o crédito rotativo do cartão de crédito. O presidente do BC afirmou que a medida seria uma forma de combater a inadimplência que, segundo ele, nos últimos dois anos e meio, chegou a 52%.

A ideia então seria encaminhar os devedores direto para o parcelamento da dívida, que teria taxas de juros em torno de 9% ao mês. A solução deverá ser apresentada pelos técnicos do BC nos próximos 90 dias.

“Você extingue o rotativo. Quem não paga o cartão, vai direto para o parcelamento. E criar algum tipo de tarifa para desincentivar esse parcelamento tão logo. Não é proibir (o cartão de crédito), mas fazer com que fiquem mais disciplinado para não afetar o consumo. Lembrando que cartão de crédito é 40% do consumo do Brasil”, pontuou o ministro.

A Febraban concluiu reforçando que continuará perseguindo uma solução que passe por uma transição gradual.

“O objetivo é alcançar a convergência que beneficie os consumidores e garanta a viabilidade do produto para os elos que atuam na indústria do cartão de crédito, como bandeiras, bancos emissores, adquirentes (maquininhas), lojistas e consumidores.”

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