21/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mais cinquenta anos. É hora de construir um novo futuro.

Publicado em 28 de março, 2014

Mais uma agonia chega ao fim (não acredito em retrocesso no segundo turno). Desde quando foi criado o modelo ZFM, essa agonia tem se repetido sistematicamente. Não estou me referindo às outras agonias (aparentemente menores), que mesmo a despeito da proteção de todo um arcabouço jurídico, vez por outra, ameaçam a competitividade do PIM, o que acontecendo, na prática, anulariam o efeito de qualquer prorrogação. Essas deverão continuar.

Aplauda-se a capacidade de articulação da nossa classe política envolvida no processo, uns mais outros menos, mas sem heróis como bem destacou o governador Omar Aziz. Diferente não poderia ser, pois a batalha ocorre no campo político, onde só há protagonistas, pelo menos na avaliação dos próprios. Festejemos, mas, leve-se em conta que em cada uma dessas batalhas vão ficando pedaços da nossa hegemonia, resultado natural de todo embate.

Que aos festejos, juntem-se ações capazes de contribuir com o fortalecimento do nosso principal modelo de desenvolvimento, sem deixar de lado as alternativas que contemplem a nossa biodiversidade, poderosa alavanca do desenvolvimento sustentável do Estado, ainda desprezada.

Que os 47 anos passados, pobres em atitudes, nos levem à reflexão sobre as nossas fraquezas, onde se destaca a aquisição do conhecimento, principal ferramenta da humanidade ao desenvolvimento em todos os tempos e, atualmente, determinante no avanço social.

Outros povos com percepções diferentes das nossas, nesses 47 anos, marcaram posição criando modelos de desenvolvimento embasados no conhecimento científico/tecnológico, a partir de pesados investimentos em educação. Os resultados o mundo conhece e seria enfadonho repetir.

Mas vale lembrar o caso da China. Mesmo percebendo com atraso que o futuro passava pelo avanço tecnológico, promoveu uma revolução no seu sistema de ensino e foi, também, buscar além-fronteiras conhecimentos mais adiantados. Hoje tem ela algo próximo de dois milhões de jovens estudando nas melhores universidades do mundo.  Xangai, por exemplo, aderiu ao PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) apenas em 2009, ano em que venceu a competição, mesma colocação repetida, na edição seguinte, em 2012. Resultado: a China se tornou a locomotiva do mundo.

Conhecido é o nosso pífio desempenho nesse mesmo exame internacional, desde a sua criação no ano 2000. Ainda não nos convencemos que a educação é a alternativa para alavancar o desenvolvimento no mundo moderno. Até mesmo o festejado economista Celso Furtado, principal teórico brasileiro do desenvolvimento, parece que, também, não estava convencido dessa alternativa, tanto é que na sua obra que trata do assunto “A Formação Econômica do Brasil”, nenhuma referência é feita à educação como fator de desenvolvimento. Uma omissão imperdoável, que foi passada para as gerações posteriores, sem observação.

Em todas as cidades do mundo, onde o crescimento explodiu, tinham como atrativo avançado sistema de formação de capital humano da melhor qualidade. Para lá foram os grandes capitais e se aproveitaram do conhecimento para criar e inovar em tecnologia.

A crise de 2008 arrasou os USA onde a crise se originou. Nessa época li a seguinte declaração de alguém que não lembro, mas que bem ilustra a importância do conhecimento: “Não pode se desesperar um país que entre as 50 melhores universidades do mundo tem 39 delas”. Hoje, aquele país ainda tem dificuldades, mas está em franca recuperação.

O progresso e transformação da humanidade sempre sofreram a intervenção da ciência e da tecnologia, com resultados diretos no comportamento social dos indivíduos. Quem mais se desenvolveu sempre foram os que dispunham de melhor conhecimento. Dúvidas a esse respeito não existem. E nós! O que vamos fazer com mais cinquenta anos? O que nunca fizemos. Formar capital humano de melhor qualidade é a única e óbvia alternativa.

A UEA (Universidade do Estado do Amazonas) pode ser o caminho. Nela já existe uma área de tecnologia onde há estrutura e tem história. O ensino ainda não se sobressaiu, mas está funcionando. Os investimentos serão menores, pois se restringirão à formação de professores que deverão ser treinados nas melhores universidades do Brasil e do mundo, de onde, também, deve ser importada a maior quantidade possível de PHDs, para fazer das novas gerações uma elite capaz de criar, inovar e empreender e que facilitem um permanente intercâmbio com as melhores universidades do planeta.

Paralelamente e com a mesma finalidade, deve ser criada na mesma Universidade uma Escola de Economia e Negócios, com o mesmo perfil e competência das melhores, seguindo a mesma estratégia e objetivos da unidade de tecnologia.

É evidente que o ensino básico dever merecer ajustes, pois, será ele o fornecedor da matéria prima para as escolas aqui mencionadas.

Cabe ao Estado o papel de criar essas condições. Dinheiro parece não ser o problema, pois, como se sabe, o Polo Industrial já vem cumprindo a sua parte, quando, além das suas obrigações legais, transfere fabulosa soma destinada à operação da UEA.

Outro processo que o Estado tem de coordenar é o levantamento do conhecimento que já existe sobre a nossa biodiversidade, com o fim de encontrar os caminhos que devam ser seguidos nessa área estratégica para o desenvolvimento do Estado. UFAM, INPA, CBA, EMBRAPA e outras instituições, dentro e fora do Estado devem dispor de um volume acumulado de conhecimento, do qual a sociedade ainda não se apropriou.

Por esses ou outros caminhos temos de começar a construir um novo futuro. Não fizemos isso no passado e hoje aquele futuro chegou fundamente marcado pelo presente de 25, 30 anos atrás, motivo das nossas inseguranças e, quem sabe, das desesperanças de muitos jovens. Não dá para continuar atribuindo aos outros a culpa pela nossa inação.

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Autor
Francisco Cruz

* Francisco R. Cruz é empresário e trabalhou muitos anos na área de tecnologia e, entre 2001 e 20...

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