06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Extração de petróleo da foz do Amazonas vai custear transição energética, diz presidente da Petrobras

Publicado em 29 de março, 2023

Extração de petróleo da foz do Amazonas vai custear transição energética, diz presidente da Petrobras

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, defendeu nesta quarta-feira (29) o projeto da estatal de explorar jazidas de petróleo e gás na chamada margem equatorial, região que compreende as costas do Norte e do Nordeste do Brasil, entre o Amapá e o Rio Grande do Norte – o nome refere-se à linha do Equador.

De acordo com o dirigente, os recursos advindos dessa exploração serão usados para financiar a transição energética da companhia. A iniciativa é tratada como prioridade da Petrobras, mas é alvo de críticas pelos riscos ambientais que envolveriam a exploração das jazidas em águas profundas da bacia do Rio Amazonas.

Para ter início, é necessária autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que negou pedidos de licença feitos na década passada por multinacionais – com as negativas, os contratos que haviam sido arrematados em leilão foram repassados à estatal brasileira.

Em entrevista recente à agência Sumaúma, a ministra do Meio Ambiente e das Mudanças Climáticas, Marina Silva, comparou o projeto à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na década passada – ambientalistas apontam consequências graves para os povos indígenas e para a região onde fica a unidade, no sul do Pará, e a oposição à obra foi o estopim para que Marina deixasse o governo Lula, em 2008.

Bacia

“Depois da bacia de Campos e do pré-sal, estamos diante da mais nova fronteira do país, a Margem Equatorial, que vai da costa do Amapá até o Rio Grande do Norte”, afirma Prates em vídeo enviado no qual defende a segurança do projeto e a expertise da Petrobras em iniciativas do tipo.

“É preciso deixar claro que a localização do primeiro poço que pretendemos perfurar não é no Rio Amazonas, mas em alto mar, a 500 km da foz desse rio. Para se ter uma ideia, essa é a distância equivalente entre o Rio de Janeiro e São Paulo”, diz o presidente da Petrobras.

Prates explica que a perfuração do primeiro poço será um “trabalho temporário, com duração prevista de apenas cinco meses”, e que a Petrobras nunca registrou, em quase 70 anos de atividades, um vazamento ou falha no sistema de pressão em perfurações em alto-mar.

“Com o resultado da fase de investigação e perfuração, a sociedade terá o direito de saber qual é o real potencial dessa área, e a partir daí vamos aprofundar o debate sobre a continuidade ou não do projeto”, diz Prates.

“Se formos bem-sucedidos, vamos resolver as reservas de forma integrada a outras fontes de energia. Com foco em agenda de transição energética segura, justa e inclusiva. Se for comprovada sua viabilidade, será um salto em direção ao futuro, uma verdadeira alavanca de novos investimentos e oportunidades.”

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