Tenho refletido um pouco sobre essa filosofia de bar e estou chegando a conclusão que pode ser uma grande realidade.
É notório que o ser humano ignorante não seria a melhor solução para o crescimento e desenvolvimento da humanidade. No entanto, o estado de ignorância, no sentido de desconhecer sobre algo, pode proporcionar uma oportunidade de liberdade, à medida que você pode arriscar sem medo descobrir coisas novas, a partir dessa “santa ignorância”. Duas situações. que presenciei, impulsionaram-me a prestar mais atenção sobre o tema.
A primeira delas foi num evento, onde tinha sido combinado que um palestrante famoso iria se apresentar e ao final ninguém poderia se aproximar para dar privacidade ao mesmo. Uma pessoa que não sabia do combinado, no final, foi até o palestrante e resolveu uma questão que precisava ser resolvida. Só mais tarde a pessoa ficou sabendo da restrição e apenas ignorou, porque resolveu seu problema.
A segunda delas foi um passeio de fim de semana na beira do rio, com um grupo de amigos. Ao chegarem na praia, tomaram banho no rio, brincaram, se divertiram e aproveitaram o fim da tarde. No dia seguinte, eles viram um pescador pegar várias piranhas naquele mesmo lugar. Eles decidiram não tomar mais banho no rio e nem aproveitaram mais o passeio. Não conseguiram ignorar o fato de poderem ser mordidos pelas piranhas.
Quando sabemos tudo, quando temos todas as verdades, corremos o risco de ficar paralisados e amedrontados, a ponto de não ousarmos e descobrirmos coisas novas que nos deixem felizes e criativos. Talvez, por isso, a fase criança, seja a fase das descobertas, a fase da “doce ignorância”, onde tudo pode ser experimentado e sobram as boas memórias das experiências vividas.
Por outro lado, as soluções inovadoras deixam a desejar, pois são necessárias muitas verdades verdadeiras para que sejam formuladas, muitas desrupturas para serem rompidas e muitas fórmulas para serem comprovadas e experimentadas. A verdade pode limitar a criatividade e a inovação.
Liberdade e medo são lados da mesma moeda, onde ignorância e verdade podem extrapolar as barreiras da novidade, como também limitar inovações que podem ser fundamentais para todos.
Estou cada vez mais convencida de que a ignorância liberta e a verdade amedronta.
Escolha o que mais te faz feliz.
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Ozeneide Casanova Nogueira é advogada e assistente social, com MBA em Gestão de Pessoas (FGV-ISA...