Adriana Costa (especial para o blog)
Considerado pelo meio médico como simples, rápido, sem dor e altamente eficaz, o exame de frênulo lingual, conhecido como “teste da linguinha”, depende apenas do aval dos senadores para se tornar obrigatório em hospitais e maternidades de todo o país. Nesta quarta-feira, deputados da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovaram, de forma conclusiva, a proposta para realização do procedimento em recém-nascidos.
“É de extrema importância a aplicação do teste da linguinha. O profissional habilitado, neste caso o fonoaudiólogo, faz a avaliação das estruturas orais do recém-nascido. Embora não seja de cura, o exame é para prevenção. Um freio lingual (uma fina membrana que une a língua ao pavimento da boca) curto traz dificuldade para o bebê de fazer a sucção, logo de mamar no seio, e problemas futuros na mastigação e na fala”, destacou a fonoaudióloga Annalyz Costa Carvalho.
De acordo com Carvalho, o teste é “simples e indolor”, e bastam, no máximo, 15 minutos para fazê-lo. “É de tato e visual. É elevar a língua do bebê para avaliar o freio. Além disso, se observa a criança ao peito da mãe, como ela está fazendo a sucção do leite”, explicou. Para os pais que têm alguma preocupação quanto ao “teste da linguinha”, a fonoaudióloga tranquilizou. “Não há uso de qualquer instrumento, não é invasivo e não vai sangrar a boca do recém-nascido”, assegurou.
A fonoaudióloga Mariana Pedrett também salientou a importância da avaliar a língua do bebê. Para ela, embora o protocolo seja recente (2012), é tão necessário quanto do coraçãozinho, pezinho, orelhinha e olhinho, hoje já realizados nos hospitais. “A questão não é avaliar o tamanho do freio lingual, mas a funcionalidade dele. O teste tem o propósito de detectar, de forma precoce, a mobilidade da língua, se há limitações”, esclareceu.
Segundo Pedrett, sem a realização do protocolo — criado pela fonoaudióloga paulista Roberta Martinelli, a anquiloglossia, conhecida como “língua presa”, passará a ser detectada somente quando a criança estiver em idade escolar. “Aos seis anos, o professor, geralmente, repassa aos pais a dificuldade da criança em falar algumas palavras, em realizar exercício de leitura. Daí, ela já passou por discriminação e também por problemas na amamentação, deglutição e mastigação”, frisou. Ao ser diagnosticada precocemente a “língua presa”, conforme Mariana Pedrett, mais cedo essa criança será encaminhada ao médico para frenectomia, que consiste em um simples picote para saltar o frênulo.
Trâmite
Aprovado na CCJ, o texto que trata da obrigatoriedade do “teste da linguinha” é substitutivo da Comissão de Seguridade Social e Família aos projetos de lei 4832/12, do deputado Onofre Santo Agostini (PSD-SC), e 5146/13, do deputado Ricardo Izar (PSD-SP), que tramitam apensados.
Os projetos originais previam, além do teste, a realização de cirurgia corretiva, caso se constatasse que o bebê tivesse língua presa. O PL 5146 também estabelecia que o exame seria realizado por fonoaudiólogo ou profissional de saúde capacitado. A proposta será enviada ao Senado, a menos que haja recurso para análise no Plenário da Câmara.
Íntegra das propostas