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Durante conversa com jornalistas em Washington, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (12), o ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e as políticas fiscal e monetária adotadas pelos EUA e por países europeus.
Guedes está em Washington para participar de reuniões do FMI e do Banco Mundial.
“Há seis meses, estava todo mundo dizendo que os brasileiros estão passando fome. Aí o FMI diz que o gasto podia ser menor. Isso que eu falo: o FMI tem que falar menos besteira e trabalhar um pouco mais pra alertar os americanos, os europeus”, declarou o ministro, ao ser questionado sobre o FMI ter dito que o gasto social do Brasil durante a crise poderia ter sido menor.
“Enquanto eles estão puxando a nossa orelha, o Brasil está crescendo mais, a inflação está mais baixa. Não acredito que o FMI esteja de má vontade com o Brasil, acho que é erro técnico mesmo”, disse o ministro.
Sobre o auxílio emergencial, Paulo Guedes disse que sente “muito orgulho” por ter criado o benefício. “Nós criamos na urgência do combate ao Covid e acabou virando o Auxílio Brasil permanente agora, e o nosso programa social saiu de 0,4% do PIB pra 1,5% do PIB. É três vezes maior, é o maior programa de combate à pobreza e de inclusão social que o país já fez. Se o FMI está achando que a gente gastou muito com programa social, ele não entendeu nada porque nós vamos continuar gastando esse dinheiro com o social”, afirmou.
O governo, no entanto, havia proposto o pagamento de R$ 200 mensais em março de 2020. Quando o projeto foi para o Congresso Nacional, os parlamentares aumentaram o valor para R$ 600. E a proposta do Orçamento de 2023 enviada pelo governo Jair Bolsonaro ao Congresso no final de agosto não incluía a previsão de aumento para o Auxílio Brasil. O valor médio incluído no texto é de R$ 405 – abaixo dos R$ 600 pagos atualmente.
Outro ponto abordado por Guedes durante a conversa com jornalistas foi a valorização do real frente ao dólar este ano e a queda da taxa de desemprego, que chegou a 8,9% em agosto, mas com recorde de trabalhadores sem carteira assinada, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Em relação aos Estados Unidos e à Europa, é a terceira ou quarta reunião que tivemos em que alertei que eles estão bem atrasados, estão dormindo no volante. É incrível porque geralmente as reuniões do FMI são usadas para alertar as economias emergentes para fazer o dever de casa. Acho que eles deveriam se olhar no espelho porque não estão fazendo um bom trabalho, estão bem atrasados no fiscal, na política monetária. O efeito é que a inflação está disparando”, disse o ministro.