Seis policiais militares, um ex-policial militar e o delegado da Polícia Civil, Oscar Cardoso, foram presos, na manhã desta quarta-feira (9), durante operação ‘Tribunal de Rua’, desencadeada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), por meio da Secretaria Executiva de Inteligência (Seai). O grupo foi enquadrado por associação ao tráfico, corrupção passiva e extorsão mediante sequestro.
Além do delegado que integrava a Força-Tarefa da SSP-AM, foram presos os policiais militares Einar Magalhães Ribeiro (sargento), José Samuel Spener (cabo), os soldados Ronaldo Bacuri Machado, Nadison de Souza Miranda, Williame de Souza Castro, Donato Paz da Silva, assim como o ex-policial militar Wanderlan Fernandes de Oliveira.
De acordo com o secretário de Segurança Pública, Paulo Roberto Vital, as investigações, que duraram cinco meses, começaram após uma das vítimas ter procurado a secretaria para fazer a denúncia. A partir depoimentos e materialidade dos casos, foram pedidos à Justiça os mandados de prisão, os quais foram deferidos pelo juiz Francisco Pessoa Almada, da 2ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (2ª Vecute).
O secretário de Inteligência, Thomaz Vasconcelos, explicou que o grupo se aproveitava da prerrogativa policial e abordava traficantes para tomar objetos de valor, dinheiro, carro e até as drogas, que depois eram revendidas pelos integrantes. Em um dos casos, segundo Vasconcelos, o bando chegou a sequestrar um casal e pedir resgate à família no valor de R$ 50 mil.
Vasconcelos informou que, durante toda a manhã de hoje, os suspeitos prestaram depoimentos à polícia. Em seguida, os policiais militares foram encaminhados ao Batalhão de Guarda da PM e o delegado levado para a carceragem da Polícia Civil, na Delegacia Geral. De acordo com ele, a partir de agora, os envolvidos serão afastados dos cargos e estarão à disposição da Justiça.
Para o delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas, Josué Rocha, a prisão dos policiais serve de exemplo aos demais que se desviarem da conduta prezada pela instituição. “A Polícia Civil tendo um de seus membros em qualquer irregularidade, isso será apurado e penalizado. Nós estamos atentos a qualquer situação e vamos continuar trabalhando com seriedade”, garantiu.
Já o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Almir David, o envolvimento dos policiais com a criminalidade não reflete os valores da instituição. “A Polícia Militar emprega a transparência em todas as suas ações. Por isso expurgamos esse tipo de comportamento”, ressaltou.
A operação ‘Tribunal de Rua’ teve esse nome por fazer referência à música da banda O Rappa, que revela a prática criminosa de extorsão de policiais militares do Rio de Janeiro.

Coletes balísticos, armas e munições estavam entre o material apreendido durante a operação. Crédito: Divulgação/Pedro Braga Jr./SSP
Apreensão
Além das prisões, durante a operação também foram apreendidos sete pistolas (380 e PT 40), uma arma de ar comprimido, uma arma de cano longo, 211 munições intactas, duas algemas, um binóculo, dois coletes balísticos, 26 telefones celulares, 11 pendrives, chips de celular, cinco veículos, cartões de banco, uma máquina de cartão, dois notebooks, R$ 443 em espécie e mais de R$ 20 mil em notas falsas.