06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Nós o matamos

Publicado em 22 de julho, 2011

Disse Jesus: “O homem bom tira o bem do bom tesouro do seu coração; e o homem mau tira o mal do seu mau tesouro; pois a boca fala do que o coração tem em grande quantidade”, Lucas 6: 45.

Refletindo sobre esse ensino de Cristo dá para perceber que quem é bom fala coisas boas e pratica o bem, pois busca essas virtudes dentro de si mesmo, em seu bom coração. Quem é mau, por sua vez, fala e age também de acordo com o conteúdo do seu próprio coração. Então, Jesus declarou um princípio básico: “Nossas palavras e ações revelam o que está em nosso coração!”

Portanto, ao observarmos as atitudes humanas através das suas consequências, por exemplo, a miséria e a desigualdade gritantes e aviltantes, somos forçados a concluir que interiormente a humanidade tem sido má, egoísta e capaz de buscar seu “bem estar” a custa da desgraça alheia. Quando atentamente escutamos o que as pessoas dizem, como por exemplo, maledicências, calúnias, ameaças, críticas e promiscuidades, também inevitavelmente concluiremos que o coração humano está repleto de todas essas coisas.

Logo, as palavras ditas e os comportamentos vivenciados são profunda e altamente reveladores do interior humano, o qual somos incapazes de ter acesso, pois somente Deus tem o poder de conhecer a fundo o coração humano. No entanto, nós também podemos ter acesso às profundezas da alma humana, observando a conduta e prestando atenção às palavras ditas. Tais condutas e diálogos são profundamente reveladores da subjetividade humana, pois, querendo ou não, nós nos revelamos pelo que falamos e fazemos.

Diante do princípio exposto por Jesus, o que devemos concluir a seu próprio respeito, quando somos informados pelos evangelista Lucas de que na cruz, diante daqueles que o haviam traído, torturado e crucificado, Jesus pronuncia as seguintes palavras: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”, Lucas 23:34? Inevitavelmente temos que concluir que havia grande bondade, compaixão e amor no coração de Jesus, pois no ápice do seu sofrimento ele intercedeu por seus algozes.

Naquele instante de agonias e sofrimentos intensos produzidos pela crucificação, que antes de matar torturava ao máximo, as palavras de Jesus e sua atitude de intercessão revelaram que ele não tinha ódio, vingança, desforra e crueldade, antes, bondade pura e superabundante em seu lindo, santo e puro coração. Naquele instante, Jesus tirou o bem do seu bom coração, pois, ele era bom.

É por essa razão que ele nos incomoda, pois revela o quão deformados e desumanos somos, por causa da queda e do estado de rebelião pecaminosa do nosso coração repleto de maldades. Sua bondade e pureza revelam sua divindade e denunciam nossa corrupção e, via de regra, pessoas corruptas sempre mandam executar seus delatores.

Por isso, nós o matamos, pois seus executores históricos fizeram o que faríamos hoje com ele, sem sombra de dúvida, se sua encarnação tivesse ocorrido em nossos dias. Sabe por que? Porque o pecado humano odeia a santidade e bondade divinas!

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Autor
Jorge Max

Jorge Max é pastor da Igreja Batista Constantinópolis, em Educandos.

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