12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Médico é acusado de empurrar os pés de um bebê para dentro da barriga da mãe durante o parto; a criança morreu

Publicado em 26 de agosto, 2022

Foto: Reprodução

Em Niquelândia, Goiás, uma enfermeira de 31 anos acusa o médico obstetra Américo Lúcio Neto de violência obstétrica. Durante o parto prematuro de seu filho, aos oito meses de gestação, o médico teria tentado empurrar os pés do bebê para dentro da barriga dela. Américo também teria xingado a mãe e o marido.

O caso aconteceu no último dia 12 e foi registrado ontem (25) na Polícia Civil. O médico foi afastado do Hospital Municipal Santa Efigênia e nega as acusações.

A mulher começou a sentir fortes dores na barriga durante a Festa de Nossa Senhora da Abadia, no povoado de Muquém. Ela foi para o hospital municipal onde uma técnica de enfermagem teria dito que o bebê estava nascendo e os pés já estavam do lado de fora.

O atendimento teria sido passado para o obstetra Américo Lúcio Neto, que teria dito: “Eu não vou fazer o parto de uma obesa”. Ele também teria se recusado a acompanhar a transferência da enfermeira para outro hospital: “Se essa remoção for para Goiânia, vai morrer você e a criança, porque eu não vou até lá. Cadê o imprestável e inútil pai dessa criança?”. De acordo com a paciente, depois o obstetra teria pegado os pés do bebê e enfiado com força para dentro da barriga dela.

O parto só foi realizado na madrugada do dia seguinte no hospital de Uruaçu. Segundo o Boletim de Ocorrência, o bebê nasceu sem batimentos cardíacos e foi reanimado, mas morreu no final da tarde.

“Sofri o maior trauma da minha vida com um homem que se diz médico. Eu fui vítima de violência obstétrica, negligência médica e perdi meu filho”, desabafou a paciente nas redes sociais. Ela registrou um boletim de ocorrência por homicídio culposo.

Em nota, a prefeitura de Niquelância explicou que, após receber a denúncia, o médico foi afastado dos atendimentos no Hospital Municipal Santa Efigênia até que os fatos sejam apurados.

Por meio de seu advogado, Luiz Gustavo Barreira Muglia, Américo Lúcio Neto nega que tenha havido violência obstétrica no parto da paciente e também nega as ofensas a ela.

“Para fazer o parto, é necessário que tenha um obstetra e um pediatra, mas no momento em que a gestante chegou ao hospital não tinha. Por isso, o obstetra disse que não poderia fazer o parto. Quando a mulher diz que ele a chamou de obesa, é porque ele disse que se tratava de uma paciente obesa, o que demanda maior atenção e não com o objetivo de ofendê-la”, afirma o advogado. Ele informa ainda que o médico foi afastado de suas atividades profissionais por precaução e não existe nenhum procedimento administrativo instaurado.

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